Reviews e Análises
Mulher Maravilha 1984 – Crítica
Centrado no preço que é cobrado de nós para alcançarmos os nossos desejos, Mulher Maravilha 1984 é um espetáculo de efeitos especiais. Patty Jenkings está de volta na direção do longa-metragem que traz de volta Gal Gadot no papel de Diana Prince/Mulher Maravilha e Chris Pine como seu par romântico, Steve Trevor. Kristen Wiig traz para as telonas Barbara Minerva, a Mulher Leopardo, e ela se mantém longe dos seus trejeitos espalhafatosos do Saturday Night Live e entrega uma vilã bastante crível (para um filme de herói). Pedro Pascal tira a armadura de beskar do Mandaloriano de Star Wars para interpretar Maxwell Lord, em uma versão bem distanciada do material original.

A história tenta contar muita coisa de uma só vez e tende a se perder aqui e ali, começando com memórias da infância da Diana que, apesar de muito bem executadas, não agregam muito para a trama geral. Em vários momentos o filme espelha o primeiro, invertendo o papel de Diana e Steve o que novamente acaba se estendendo demais em cenas que pouco agregam à história principal. Mas o filme entretém e, quando acerta, até emociona o público. Hans Zimmer também está de volta compondo a trilha sonora que, junto dos efeitos, ajuda a deixar a audiência vidrada na ação na tela. Uma pedida razoável de blockbuster para um ano tão pobre em opções.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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João Marcos Silva Bastos
28 de dezembro de 2020 at 15:47
3 estrelas é demais pra esse filme, talvez meia estrela fosse mais adequado, sem dúvidas o pior blockbuster de 2020. Não merece nem um podcast próprio, baconzintos foi generoso demais aqui, não sei se para manter a parceria do site com a Warner.