Reviews e Análises
Freaky: No Corpo de um Assassino – Crítica
Dirigido e co-escrito por Christopher Landon (A Morte Te Dá Parabéns 1 e 2), Freaky: No Corpo de um Assassino mistura terror adolescente com comédia e uma pitadinha de horror. Produzido por Jason Blum, CEO e Fundador da Blumhouse Productions, o filme faz a velha troca de corpos entre um assassino em série (Vince Vaughn) e uma adolescente tímida (Kathryn Newton).
Vince Vaughn está perfeito tanto enquanto assassino em série quanto sendo uma adolescente no corpo de um homem “velho e fedorento”. O ator conduz a plateia por um texto cheio de piadas bem boladas, tensão, sustos e carnificina. Ver um homem de 1,96m de altura correr como uma adolescente que não gosta de esportes já vale o ingresso, e o ator mostra seu alcance cômico e dramático no filme. Kathryn Newton (Detetive Pikachu) faz muito bem o papel de adolescente tímida, mas a atuação tende a ficar meio robótica quando “veste a alma” do assassino. Não sei se foi opção do diretor/roteiro ou a atriz chegando ao seu limite. O elenco de apoio conta com Nyla (Celeste O’Connor) e Josh Detmer (Misha Osherovich) que ajudam muito nas piadas e tiradas sacaneando os excessos do politicamente correto nos dias de hoje.
O filme começa como um belo filme de terror, com assassinatos logo de cara e desenvolve em uma comédia com terror digna da produtora. Algumas cenas até remetem aos games da série Mortal Kombat de tão sangrentas, o que valeu o horror na descrição. Clichês não deixam de pontuar o roteiro aqui e ali, mas não são tão ruins como poderiam. Assusta, diverte e entretém.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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