Reviews e Análises
Toy Story 5 – Crítica
Toy Story 5 é o retorno da franquia aos cinemas após uma espera de 7 anos. Agora sob a direção de Andrew Stanton (Procurando Nemo e Wall-e), os carismáticos brinquedos voltam às telonas com uma nova ameaça. O filme acompanha Jessie, Buzz e Woody em uma jornada para impedir Lilypad, um tablet com ideias que buscam romper com o amor da criança Bonnie pelos seus brinquedos, pondo em risco tudo o que eles construíram até aqui.
Com o anúncio de mais um capítulo na vida de Woody e Buzz, muitos fãs da franquia ficaram com um pé atrás com a qualidade de Toy Story 5, principalmente após as críticas divididas em relação ao seu antecessor. Apesar disso, o filme parece entender o seu peso e os seus personagens, retornando às origens e criando uma jornada perfeita para Jessie, que é a verdadeira protagonista do longa. A história impressiona pela sua simplicidade, sem apelar para nostalgia barata, e querendo verdadeiramente finalizar o arco aberto muito tempo atrás em Toy Story 2.
Além do retorno dos protagonistas, os personagens secundários também voltam. Desta vez um pouco mais apagados na trama, mas ainda sem perderem sua essência, o destaque aqui é dos novos brinquedos eletrônicos que possuem uma dinâmica maravilhosa e muito engraçada. O filme todo mantém um bom humor contagiante durante toda a duração, com momentos verdadeiramente emocionantes e catárticos.

A mensagem do filme é bem clara e funciona perfeitamente no seu propósito. O longa mostra para pais e filhos que a tecnologia hoje é algo tão intrínseco na vida contemporânea que ela toma o lugar dos brinquedos e rouba de uma geração inteira a sensação do que é brincar. Em um mundo em que crianças ganham celulares e tablets antes mesmo de aprenderem a falar, o filme chega no momento certo para abrir os olhos dessas pessoas que hoje em dia só o que fazem é olhar para uma tela.
No fim, Toy Story 5 talvez seja de fato desnecessário e originalmente pensado como uma forma de fazer dinheiro, mas mesmo analisando tão friamente, é impossível não sorrir e se emocionar com o filme. É claro o carinho que o diretor, já experiente em animações tão bonitas e profundas, tem pelos brinquedos. É como um pedido de desculpas pelo final amargo deixado na boca pelo quarto filme.
Nota: 4,5/5
Notícias
A Odisseia – Crítica
A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.
Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.
O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.
Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica. A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.
Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.
No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.
Nota: 2,5/5

