Reviews e Análises
Dia do Sim – Crítica
“Dia do Sim” (Yes Day – 2021) tem uma premissa tão simples quanto o seu desenvolvimento, mas muito relevante nos dias em que vivemos. Um pai (Edgar Ramírez) e uma mãe (Jennifer Garner) têm três filhos de idades variadas. Na loucura do dia-a-dia acabam focando muito mais nas dificuldades do que nas felicidades e são julgados pelos filhos por serem, principalmente a mãe, muito negativos e controladores. Tudo dentro de casa é não. Chamados pela orientação da escola para conversar, os pais são desafiados a dizerem mais vezes a palavra “sim”. A ideia seria escolher um dia no mês para ser o Dia do Sim, onde os pais não poderiam dizer não para nada, a não ser que seja algo que irá afetar uma situação futura, como adotar um pet, por exemplo.
Com isso, acompanhamos essa família viver um turbilhão de situações engraçadas, emocionantes, transformadoras, tudo por conta do poder da positividade e da permissividade. É claro que nem tudo dá certo e a situação sai do controle, afinal todo mundo precisa de limites na vida. Mas acaba tudo se acertando, em uma mensagem bonitinha de parcimônia, tolerância, amor e companheirismo aliada à obediência. O filme é bem bobinho e voltado principalmente para o público infantil, mas os pais de crianças pequenas, entre 6 e 10 vão curtir assistir ao filme com eles. Pode inclusive se tornar uma bela motivação para tentar aplicar o que é proposto no filme na vida real.
A direção tem seus momentos de destaque, os atores não estão mal, mas o que emociona mesmo são as mensagens e as reflexões propostas. Em um tempo tão conturbado e de tanta negatividade, é muito bom quando um filme assim surge para acalentar e renovar as nossas esperanças de que podemos ser felizes. O filme está disponível no Netflix.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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