Reviews e Análises
A Chamada – Crítica
Temperatura máxima vai ganhar mais um filme. Liam Neeson fazendo um filme bem característico e que sustenta muito bem. Ação, tensão e drama que tomam o espectador como um sequestro relâmpago. E o filme entrega tudo muito bem, exceto o final. Nesse ponto foi anticlímax. Isso me entristeceu bastante porque o filme estava realmente muito bom.

O filme tem a direção de Nimród Antal, mesmo de “Assalto ao carro blindado” de 2009 e “Predadores” de 2010. O trabalho de escolha de posicionamento de câmeras estão muito bons mesmo, ainda mais que o filme se passa basicamente todo dentro de um carro rodando a cidade. A condução dos atores também está impressionante, os efeitos muito bem executados, o som impecável e o ritmo de tudo isso angustiante. Agora o final foi muito fraco. Aqui o diretor parece que deixou na mão do estagiário.
O roteiro tem a assinatura de Alberto Marini (“Enquanto você dorme” de 2011 e “Ligação explosiva” de 2021) e Christopher Salmanpour. O roteiro é bom, realmente direto e bem organizado, consegue segurar um bom mistério, apresenta muito bem as personagens e as motivações. Duas questões apenas me deixaram em dúvida: algumas coisas que ele apresenta no começo e que não são usadas no decorrer do filme e que poderiam ter feito diferença, e um final mal resolvido. Não é que não tem um final por desejo do roteiro ou direção, é mal resolvido mesmo. Aí é mals.
A atuação do filme é muito interessante. Temos Liam Neeson como Matt Turner, preciso nem dizer como o cara segura bem. Temos também Matthew Modine, Noma Dumezweni, Embeth Davidtz, Jack Champion e Lilly Aspell. Um elenco redondinho e muito competente e percebe-se que bem dirigido também. Então dá gosto de vê-los em cena.

O filme conta a história de Matt Turner, um empresário e investidor aplicado e competente, sócio de uma empresa de destaque na área de investimentos. Agora como marido e pai a coisa já é diferente e isso tá gerando problemas em casa. Estão acontecendo atentados à bomba em carros de alguns empresários da cidade, e nesse dia, Matt tem a missão de levar os filhos na escola para que a esposa atenda a um compromisso. Ao sair de casa, seu carro apresenta alguns problemas de sistema, mas nada que falhe o veículo. Qual não é sua surpresa quando ele recebe uma ligação de um telefone deixado no veículo que diz que tem uma bomba em seu carro e está acionado com sensores de peso sob os bancos. E caso ele tente abandonar o carro todos morrerão. Para evitar esse desastre ele terá que cumprir algumas tarefas. Quem está fazendo isso e por quê? Isso eu não vou dizer e você terá que ir ao cinema para descobrir.
Essa crítica dá nota 4 de 5 tranquilo.
O filme estreia dia 23 de agosto nos cinemas.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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