Reviews e Análises
Missão Resgate – Crítica
E lá vem de novo o Liam Neeson se vingar. E a gente já sabe como ele vai resolver isso: com muitas cenas de ação geriátrica. Dessa vez, Neeson interpreta Mike McCaan, um caminhoneiro durão que parte em uma missão de resgate junto com seu irmão mecânico com problemas mentais Gurty (Marcus Thomas). O tal do resgate é necessários pois uma mina de diamantes no norte do Canadá desaba, prendendo vários mineradores em um bolsão de metano. Qualquer faísca pode levar tudo pelos ares. Como o local é remoto, não se pode carregar os equipamentos necessários para o resgate sem a ajuda dos caminhões, que devem seguir por uma estrada de gelo fino.
Só que a equipe de resgate não contava com a maldade do capitalismo. A própria empresa que contrata o resgate quer que a missão dê errado. Qual a razão? Não fica muito clara. É só a maldade mesmo. Então vai ter um traidor no grupo que vai sabotar a parada várias vezes, em um monte de cena onde o caminhão derrapa, tomba, atola no gelo, um fica pra trás, volta, enfim uma sucessão de acontecimentos absurdos.
Missão Resgate é um filme bobo, de ação geriátrica genérica, em que Liam Neeson resolve tudo com um soco. Algo que gostaríamos de dar em quem escreveu esse roteiro e dirigiu essa bomba. Todos os clichês estão lá, mas a diversão parece que ficou do lado de fora da sala. Absolutamente tudo acontece sem muitas surpresas. É isso. Fraco.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
-
Reflix3 semanas agoReflix 184 – John Stewart não caiu por acaso no caminho de Hal Jordan
-
CO22 semanas agoCO2 426 – Divórcio Por Robô Aspirador, 20 Anos de Serpentes a Bordo e os Lançamentos da Semana
-
Livros em Cartaz2 semanas agoLivros em Cartaz 104 – Jane Eyre
-
Podcasts2 semanas agoReflix 185 – Lanternas revela o Caçador Cósmico e implode a confiança entre Hal e John

