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Reviews e Análises

A Mãe – Crítica

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Filme nacional de novo na área e mostrando aqui um problemão social enfrentado no Brasil heim. E assim vai uma hora e vinte minutos desse drama com uma premissa pesada, bonita, mas que na prática não embala. Chato e pesado. Mas que pra festivais tênis verde é um êxtase.

Maria, “A mãe”, CUP Filmes, 2022

O filme tem a direção de Cristiano Burlan, que tem em sua trajetória “Sinfonia de um homem só” de 2012 e “Antes do fim” de 2017. Nessa montagem ele traz alguns planos muito interessantes e explora bem a colagem como uma cena continuada. Apesar de entender que a proposta é imergir e ver mais de perto a situação ao usar o recurso do zoom in, ele fica um bocado cansativo e em alguns momentos não prende. Tem muita cara de experimentação do diretor na montagem, o que cansa ao ver as sequências das cenas.

Já o roteiro, que é de autoria de Burlan junto com Ana Carolina Marinho (“Fome”, 2015, “Antes do fim”, 2017), pegam uma premissa pesaaada, ampla e complexa, apresentam um bom esqueleto, mas na hora que essas partes viraram cena o angu desandou. O texto soa fraco e sem força, o que é uma pena. Como se argumento puxasse a narrativa num reboque.

No elenco temos Marcelia Cartaxo (“Quanto vale ou é por quilo?”, 2005, “A praia do fim do mundo”, 2021) no papel de Maria (Mãe) e Dustin Farias no papel de Valdo (Filho desaparecido). Claro que sim, tem outros personagens na trama mas de menor peso. E sobre o elenco. Sabe quando é tão bom em ficar ruim que te convence que é ruim? Pois é. Talvez porque o filme caminhou para um realismo tão extremo que colocou em algum momento você se pergunta se o elenco sabe atuar. Ainda mais considerando a presença de pessoas com causas sociais importantes pra testemunhar, mas que não são exatamente atores. 

Maria, “A mãe”, CUP Filmes, 2022

O que é o Filme mesmo? Conta a história de uma mãe que trabalha como ambulante e mora na periferia de São Paulo. Ao sair para o trabalho, seu filho adolescente mata aula (novamente) para sair com um amigo e tentar um teste numa escolinha de futebol. Na volta de Maria pra casa, Valdo não está e não retorna. O filme relata a busca dessa mãe, e inclusive mostrando omissões e limitações do estado. Para saber como se desenrola essa história recomendo assistir ao filme.

Esta crítica dá generosamente 1,5 de 5 para esse filme.

Avaliação: 1.5 de 5.

“A mãe” estreia dia 10 de novembro nos cinemas.

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O Fim da Rua – Crítica

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O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.

Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.

Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.

Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.

No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.

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Burburinho

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