Reviews e Análises
A Ilha de Bergman – Crítica
Um casal de cineastas apaixonados pela obra do diretor sueco Ingmar Bergman viajam até a ilha de Färo, onde ele morou e fez algumas de suas obras nos últimos anos de sua vida. Lá, enquanto conhecem o local e seus atrativos envolvendo a história e a obra do diretor, tocam seus projetos pessoais até o momento em que ficção e realidade começam a se misturar. Dirigido por Mia Hansen-Love, A Ilha de Bergman tem uma narrativa de filme europeu, e é uma homenagem explícita aos temas tratados por Bergman em seus filmes.
Vicky Krieps interpreta Chris, uma cineasta que passa por um momento delicado em sua carreira. Ao mesmo tempo em que se esforça para emplacar o novo roteiro, está envolvida com o famoso cineasta Tony, interpretado por Tim Roth. A dúvida entre construir uma carreira e dedicar-se à família é um tópico que a consome. A influencia ultrapassa a vida real quando ela começa a colocar o reflexo de seu dia-a-dia no roteiro de um novo filme, que chega a um impasse paralelo.
O filme tem a metalinguagem como uma ferramenta-chave para seu próprio desenvolvimento, tanto ao falar sobre os filmes de Bergman como ao ter um filme sendo realizado dentro do filme. Em alguns momentos as histórias se misturam e a cabeça quer dar um nó, até o desfecho deixar a gente tirar as nossas próprias conclusões. A Ilha de Bergman é um filme bonito, bem feito, bem fotografado, mas com uma história que talvez funcione muito melhor para os fãs do diretor sueco homenageado.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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