Reviews e Análises
D.P.A 3: Uma Aventura no Fim do Mundo – Crítica
O terceiro filme da turma dos Detetives do Prédio Azul, programa infantil do canal de tv a cabo Gloob e febre entre a garotada entre os 4 e 10 anos, traz uma aventura bem diferente do que os fãs estão acostumados. Dessa vez, Bento (Anderson Lima), Pippo (Pedro Henrique Mota) e Sol (Letícia Braga) se juntam a Berenice (Nicole Orsini) para resgatar a outra metade de um medalhão e, com isso, salvar a vida de seu amigo Severino (Ronaldo Reis), que está dominado pelo espírito de um velho bruxo.
Com participações especiais de Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Alexandra Richter e Klara Castanho, a equipe vai passar por diversos desafios, entre locações na Patagônia. O filme é bem movimentado, com efeitos especiais modestos mas condizentes com o orçamento e um roteiro sem muita lógica e com soluções fáceis, mas que não trata seu público principal como idiotas.
Para o público adulto, vale para conhecer o trem do fim do mundo e se programar para realizar o passeio real em Ushuaia, na Argentina. Para os pais é uma razoável distração pra curtir os filhotes e sobrinhos. Para a garotada é diversão na certa. Vale para aqueles domingos à tarde sem muita pretensão.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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Rafael Beraldo Dourado
23 de abril de 2022 at 20:33
Que legal ver uma crítica assim, empolgada, com um conteúdo que não tem pretensão de ser anda além de divertido!