Reviews e Análises
Bem Vindos a Bordo – Crítica
Bem vindos a bordo, mantenham suas poltronas em posição vertical e afivelem os cintos pra gente dar uma olhada no “Bem vindos a bordo”. Um drama, com um desapego tão grande, sobre uma personagem tão sem emoção que deixa o filme assim, meio bege. Sabe sem cor, sem vida? Mas pra uma análise mais profunda, detalhista na microação, nas sub camadas, o filme ganha um peso mais interessante. Mas quer fazer essa análise?

O filme é conduzido pelas mãos de Julie Lecoustre e Emmanuel Marre, que também assinam o roteiro junto com a colaboração de Mariette Désert, mas que não possuem outros trabalhos de grande destaque no cinema. O filme consegue passar algumas emoções para o público. A direção escolhe, nos ritmos, na fotografia, nos diálogos, na montagem e etc, ferramentas que nos transmitem o efeito desse desapego e falta de vínculo. Mas isso traz pro filme um vazio tão grande que desinteressa. Acaba virando um filme “tênis verde”, de festival, mas que o grande público vai querer largar no meio.

No elenco temos a bela atuação de Adèle Exarchopoulos, que fez “Azul é a cor mais quente”, em 2013, “Faces de uma mulher”, em 2016, e “Perseguido pelo destino”, em 2017. O resto do elenco importa? Não muito, porque como a personagem principal mesmo diz “me apego ali por duas horas e depois até nunca mais”. E dessa forma não temos personagens a mais com mais participação considerável. Mas a atuação dela está impecável. Inclusive ao passar os vazios, não só da geração dela, mas também de sua profissão (Comissária de bordo). Realmente digna de prêmio. E que propositalmente não conecta com público, assim como com mais ninguém à sua volta. O que é um problema porque para o cinema de lazer é o que buscamos… esse interesse pela vida da personagem.

Sem mais rodeios, vou falar sobre o que é o filme. É a história de uma jovem, que trabalha como comissária de bordo em uma empresa aérea de baixo custo. Uma jovem que viaja muito, tem seus conflitos familiares, tem poucos laços e muito menor quantidade de vínculos. Em dado momento ela se vê no dilema entre perder o emprego ou se arriscar em outro cargo. Mostra como ela lida com as escolhas, suas microrelações, suas ambições, relações com os locais que conhece e etc. Agora vale a pena você conhecer mais e dizer aqui o que achou da história dela.
Esa crítica vai da um 3,5/5, mas com asterisco de que você só deve ir ver se gostar de filme conceito. Porque caso contrário, você vai achar beeeeem chato.
O filme estreia dia 24 de novembro, nos cinemas.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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