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Reviews e Análises

Vidas Entrelaçadas – Crítica

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“Vidas Entrelaçadas”, novo longa protagonizado por Angelina Jolie que estréia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16/04) conta a história de três mulheres: Maxine (Angelina Jolie), uma cineasta americana que tem que lidar com um câncer de mama recém descoberto, Ada (Anyier Anei), uma imigrante do Sudão do Sul que entra de cabeça no mundo da moda, e Angèle (Ella Rumpf), uma maquiadora que trabalha nos bastidores de grandes desfiles. A proposta de costurar essas três histórias, entrelaçando elas numa grande malha que critica a indústria da moda, é no papel muito interessante.

O filme tem um conceito fundamentalmente curioso, mas que infelizmente não alcança o potencial prometido. Três protagonistas com histórias complexas e motivações interessantes não conseguem compartilhar um bom tempo de tela. A sensação é de ver uma competição confusa e estranha por uma hora e quarenta de filme, com muitas vezes Maxine tendo maior destaque do que as outras, que parecem perdidas e vazias no meio da confusão da trama.

O drama de Maxine é a parte que mais tem foco durante o filme, a dor silenciosa do câncer de mama é trabalhada de forma bem interessante e funcional, mas não possui tempo o suficiente para se desenvolver. Muitas vezes até, o filme acaba entediando e monotonizando as discussões trazidas pelas outras personagens Àngele e Ada.

A parte mais interessante do longa é o modo como ele critica a indústria por três perspectivas diferentes, uma diretora de cinema, uma modelo e atriz novata e uma maquiadora já experiente. Essa visão tríplice sobre o mesmo tópico é um dos fatores mais notáveis do filme e que realmente gera uma discussão sobre a brutalidade do mundo da moda. A forma como a diretora (Alice Winocour) retrata a vida particular dessas pessoas contribui muito com a proximidade com o espectador, mostrando a todo momento que essas personalidades são “gente como a gente”.

“Vidas Entrelaçadas” é um drama que, apesar de um conceito e proposta interessante, não se dá tempo para funcionar de forma adequada, tornando o filme cansativo ao tratar de discussões importantes, e criando uma competição desnecessária por tempo de tela. Angelina Jolie cumpre bem o seu papel, mas falta apelo quando o assunto são as outras tramas que compõem o filme. 

Avaliação: 2 de 5.
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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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Burburinho

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