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Reviews e Análises

Maurício de Sousa: O Filme – Crítica

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Pôster do filme / “Maurício de Sousa O Filme - Mauro Sousa interpreta o pai em cinebiografia sobre o criador da Turma da Mônica.”

Maurício de Sousa: O Filme é uma cinebiografia que busca contar a trajetória do maior quadrinista brasileiro vivo. Da infância no interior de São Paulo à realização do sonho de viver das histórias em quadrinhos, o longa percorre as principais fases da vida do criador da Turma da Mônica. No entanto, a forma como essa jornada é contada acaba prejudicando o resultado como obra cinematográfica.

O filme adota um tom excessivamente autoelogioso, evitando mostrar qualquer aspecto negativo da vida do autor. Essa escolha faz com que o longa perca o impacto do realismo que uma cinebiografia exige — aquele em que o público acompanha não apenas os triunfos, mas também as falhas, contradições e complexidades que tornam o retratado verdadeiramente humano.

Interpretado por Mauro Sousa — filho do próprio Maurício —, o protagonista parece atravessar a vida resolvendo tudo com sorte e esforço pessoal. E o espectador sabe que a realidade raramente é tão simples. Embora Mauro tenha semelhança física com o pai, sua atuação carece de direção mais precisa. Há momentos em que o roteiro pede emoção, mas o ator, apesar do esforço, não convence — uma cena que deveria ser comovente passa em branco, sem uma lágrima sequer.

O roteiro também peca ao retratar as criações dos personagens de Maurício como meros lampejos de genialidade. Ideias que surgem de lembranças ocasionais — como o Cebolinha, inspirado em alguém do passado, ou o Penadinho, nascido da visão de uma criança fantasiada — parecem simplificar em excesso o processo criativo do artista.

A direção e a fotografia até tentam mostrar como os quadrinhos lidos na infância influenciaram o futuro de Maurício, mas essa abordagem fica restrita ao primeiro terço do filme, quando acompanhamos o quadrinista ainda criança. Nessa fase, o jovem Diego Laumar entrega uma atuação sensível e convincente, carregando boa parte da emoção que falta ao restante da produção.

Outro ponto positivo está no elenco de apoio, que conta com nomes como Thati Lopes, Emílio Orciollo Netto, Natalia Lage e Elizabeth Savala. Todos ajudam a dar credibilidade às figuras fundamentais na vida do autor e a amenizar o tom por vezes panfletário da narrativa.

No fim das contas, o principal problema de Maurício de Sousa: O Filme parece ter sido o controle excessivo da família sobre o projeto. O resultado é uma obra mais interessada em prestar homenagem — justa e merecida, sem dúvida — do que em construir um retrato cinematograficamente envolvente.

Apesar dos defeitos, o filme cumpre o papel de registrar a trajetória de um dos maiores nomes da cultura brasileira. Maurício de Sousa merece todas as celebrações — só fica a sensação de que sua história poderia ter rendido um filme tão inspirador e humano quanto os personagens que criou.

Nota: 2,5

Avaliação: 2.5 de 5.

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O Fim da Rua – Crítica

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O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.

Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.

Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.

Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.

No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.

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