Reviews e Análises
O Último Rodeio – Crítica
O Último Rodeio (The Last Rodeo – 2025) é mais um daqueles dramalhões da produtora cristã norte-americana Angel, responsável pelo fenômeno de bilheteria e público O Som da Liberdade (Sound of Freedom – 2023). Em O Último Rodeio, Joe Wainwright (Neil McDonough) é um antigo campeão de rodeios de touros no Texas, EUA. Aposentado, Joe se vê obrigado a retornar em uma competição das lendas do rodeio para poder conseguir dinheiro para pagar a cirurgia de seu neto.
Sem passar um segundo de sua projeção para questionar a necessidade de se pagar mais de 150 mil dólares por uma cirurgia de tumor no cérebro, ou mesmo porque o plano de saúde só vai arcar com 40% da mesma, o roteiro no filme automaticamente assume todos os clichês de um melodrama.
Está tudo lá: o protagonista que decide fazer um último sacrifício para se manter como o “provedor” da família, o salvador branco; o homem negro amigo com “poderes mágicos” que ajuda o protagonista; protagonista de idade avançada que passa por questionamentos e no final prova que o jeito de ser campeão é ir contra as regras; entre diversos outros.
O filme é dirigido e co-roteirizado por Jon Avnet, cuja carreira já teve momentos melhores em Tomates Verdes Fritos (1991) e Árvore dos Sonhos (1994). Apesar de ser um filme fraco, a fotografia é muito bem feita, principalmente nas cenas ao ar livre, com as belas paisagens dos Estados Unidos e durante as cenas de rodeio.
Inclusive, é importante mencionar que o filme romantiza o Rodeio, o que já é polêmico em si, já que há questionamento por parte de ativistas de direitos animais que consideram a prática uma verdadeira tortura com os touros. O filme, obviamente, não perde seu tempo com questionamentos a respeito. Prefere gastar uma cena inteira no bar, onde os caubóis com sua masculinidade frágil resolvem puxar briga com o idoso que venceu a rodada da noite de maneira inexplicável, mesmo tendo uma fratura nas costelas.

Com atuações bem decentes e que estão longe de atrapalhar o desenrolar do filme, o que incomoda mesmo são as situações do roteiro que não cansa de empurrar sobre o público clichês repetidos e momentos de fé cristã como a causa do sucesso na vida de todos os personagens, mesmo daqueles que já a haviam abandonado.
Um filme simples, que você já assistiu inúmeras vezes de formas diferentes, e que só vai agradar os fervorosos religiosos e conservadores. Uma pena.
Nota 1,5 de 5
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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