Reviews e Análises
A Primeira Morte de Joana – Crítica
A perda da inocência é realmente um momento complicado e é uma transição que pode ser muito difícil. E é difícil perceber que todas as mulheres a sua volta são mergulhada em segredos que marcam suas vidas. E é nesse clima que esta produção chega de manso com uma guria legal até demais pra seu grupinho. E o filme também prova que adolescente é fase teeensa.

O filme tem a direção de Cristiane Oliveira, que tem um trabalho já consolidado como assistente de direção e tem trabalhado em suas próprias direções. Aqui a direção sofre um pouco na condução do ritmo das cenas, apesar de fazer boas escolhas de fotografia, a condução do som não desagrada ao ouvir, mas peca na mixagem. As escolhas execução de câmera foram boas e bem executadas. Mas sabe quando você sente que é muito mais filme pra festival do que pra ganhar o público? Mas fez o dever de casa direitinho. O filme não é ruim de direção.
O roteiro tem as assinaturas de Gustavo Galvão (“Uma dose violenta de qualquer coisa” de 2013), Silvia Lourenço (“Insubordinados” de 2014) e da diretora Cristiane Oliveira. O roteiro tem uma boa premissa, é fofo, traz um misto de quebra da pureza com as dores da vida de uma mulher em uma sociedade que a silencia, tem um subtexto importante e o conceito bem legal. Mas infelizmente ele peca em uma coisa: ele não se preocupa em ser interessante para o grande público e prender o público. Mais uma vez: fez o dever de casa bonitinho. É bem construído tecnicamente. Mas parece que visa atender a festivais.

No elenco não há ninguém de destaque no cinema nacional, o que apresenta uma oportunidade maravilhosa de apresentar novos rostos e talentos. Traz duas jovens talentos na trama principal: Letícia Kacperski como Joana e Isabela Bressani como Carolina. As duas fazer um bom trabalho, mas fica bem claro seu trabalho como iniciante. Mesmo no elenco mais experiente, a atuação tem traços de pouca intimidade com as câmeras. Não é ruim, mas também não desperta no grande público o interesse de ir ver. O que é uma pena.
O filme é sobre Joana, que aos 13 anos perde uma tia, e começa ter questionamentos sobre os segredos das mulheres a sua volta. Paralelo a isso ela começa a descobrir a sexualidade e possivelmente não siga um caminho tradicional. Novas visões da religião, questões sobre o prazer, conflitos sobre relacionamentos na escola, como as mulheres da sua família lidam com o amor e os relacionamentos e muito mais trazem conflitos para essa adolescete. Crescer realmente dói, mas é uma fase que todos precisam passar.
Essa crítica da 1,5 de 5 para esse filme.
O filme estreia dia 04 de maio nos cinemas.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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