Reviews e Análises
O Homem do Norte – Crítica
O Homem do Norte (The Northman) conta a história de Amleth (Alexander Skarsgard) príncipe de uma tribo de vikings nos anos 900 depois de Cristo. Quando criança, ele testemunha o assassinato do rei Aurvandil (Ethan Hawke) pelas mãos de seu tio Fjölnir (Claes Bang). Ao ser perseguido, consegue fugir para jurar retornar um dia e vingar seu pai e salvar sua mãe (Nicole Kidman).
Assim como todos os trabalhos anteriores do diretor Robert Eggers, a realidade se mistura com a fantasia e o horror. Sempre usando e abusando de uma fotografia soberba, Eggers conta uma história em que não é muito fácil discernir até onde foi a realidade e até onde tudo não é uma fantasia do protagonista, onde a bruxaria não passa de uma coincidência feliz ou infeliz.

Violento, cru, nojento, gráfico. As cenas de mortes são marcantes e por muitas vezes não poupam o espectador mais sensível. Em outros momentos percebe-se que o diretor queria ir mais longe mas foi segurado ou por uma auto-crítica ou por um estúdio zeloso. As atuações de todo o elenco estão incríveis. Além dos já citados, temos ainda Willem Dafoe, e Anya Taylor-Joy em papéis importantes.
Infelizmente, a coisa mais importante do filme não é tão forte assim: o roteiro. Com uma trama simples de vingança, o texto traz poucos pontos de virada e nenhuma surpresa para os espectadores mais vividos nesse tipo de história. Traições e decepções, redenções e sacrifícios são esperados e entregues de forma muito simples, sem nada de original. O filme vale mesmo é pelo espetáculo visual e pelas atuações.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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