Reviews e Análises
Uncharted: fora do mapa – Critica
Segure a sua ansiedade e a labirintite que hoje vamos falar de Uncharted: Fora do mapa.

O filme, baseado em um jogo do Playstation, é levado até as telonas para delírio dos amantes do game. Com um bom elenco e uma proposta desafiadora, a Sony apresenta um filme com muita, mas muita ação.
Nas mãos do diretor Ruben Fleischer, que tem em seu currículo Venom (2018) e Zombielandia 1 (2009) e 2 (2019), traz uma dinâmica que lembra muito fortemente Indiana Jones” e “Os Goonies”, mas sem conseguir alcançar esses clássicos. Conseguiu formar boas cenas de ação e um ritmo eletrizante do início ao fim.
Os atores estão de maneira muito competente dentro de suas zonas de conforto e com um roteiro livre permitindo ver bem suas características. Temos no elenco Mark Wahlberg, Tom Holland, Antonio Banderas, Sophia Ali, Tati Gabrielle. Tendo uma ressalva especial para Tom Holland que mostra que realmente é um ótimo Peter Parker.
As cenas foram muito bem pensadas e com uma bela fotografia em muitos momentos e as trilhas e sonoplastia fazendo jus ao todo. E os efeitos especiais não deixam a desejar também não.. Mexem não só com as emoções do espectador, como também com seu ato reflexo na cadeira (ou seria sentido aranha).

O filme fala que mesmo crescido podemos manter o nosso espírito Goonie ativo e buscar aquele tesouro de uma lenda que lhe contavam quando criança. Que existem coisas por aí que não sumiram, apenas estão perdidas. E é com essa premissa que o jovem Peter, digo, Nathan Drake (Tom Holland) é acionado para a iniciativa vingaa.. digo, para uma empreitada junto com Victor Sullivan (Mark Wahlberg) e Chloe Frazer (Sophia Ali) para achar um tesouro e de quebra saber mais sobre seu irmão desaparecido. Mas para isso ele vai ter que apostar uma corrida com o Zorro, digo, Santiago Moncada (Antonio Bandera), que se considera herdeiro legítimo de um tesouro perdido que poderia ter sido de sua família, e sua vilã de aluguel Braddok (Tati Gabrielle). E com isso eles se metem em altas aventuras e resolvem alguns puzzles nível 5 de 20.
O filme vale a pena pelas cenas de ação e pelo humor, mas para esta crítica não leva muito mais do que duas estrelinhas.
Filme estreia dia 18 de fevereiro de 2022 nos cinemas.
Notícias
A Odisseia – Crítica
A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.
Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.
O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.
Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica. A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.
Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.
No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.
Nota: 2,5/5

