Reviews e Análises
Alerta Vermelho – Crítica
Alerta Vermelho é a bobagem mais divertida de 2021. O filme conta a história de John Hartley (Dwayne Johnson), um agente do FBI que, com a ajuda da Interpol captura um dos maiores ladrões de arte do mundo, Nolan Booth (Ryan Reynolds). Hartley quer que Booth o ajude a encontrar a ladra Bispo (Gal Gadot), enquanto há uma corrida por reunir os três ovos de ouro que Cleópatra teria ganhado de Marco Antônio. O filme é dirigido por Rawson Marshall Thurber de Família do Bagulho e Um Espião e Meio.
A história do filme é simplesmente a maior sucessão de clichês de filmes de roubo/ação/comédia/aventura. Sim, é difícil encaixar esse filme em um gênero só, pois ele é tudo ao mesmo tempo. As cenas de ação são muito bem filmadas, as montagens envolvendo os roubos também. A comédia fica por conta de Ryan Reynolds, que, apesar de estar fazendo ele mesmo como sempre, dessa vez tinha um bom texto e seus improvisos casaram bem. A cena que ele zoa a careca do Dwayne Johnson é de rolar de rir. Por falar em Dwayne, ele cumpre bem o seu papel de sempre. E Gal Gadot, sempre lindíssima, continua uma péssima atriz.
Voltando ao roteiro, tudo é muito conveniente e dá para se contar as vezes em que há um plot twist previsível. Não há surpresa alguma pois o ponto de virada é coreografado para quem já assistiu a milhares de filmes de todos esses gêneros. Mas, por incrível que pareça, tudo funciona super bem. Não sei como. O que interessa é que, para poder curtir Alerta Vermelho, é importantíssimo desligar o cérebro. Só vai funcionar se for assim. Então assim é um filme horroroso, mas divertidíssimo. Confuso né? Pois é isso.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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