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Reviews e Análises

O Pastor e o Guerrilheiro – Crítica

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Filme nacional na área, galera! Já vou adiantar que o filme está bom sim. Tem uma temática histórico-política, mas a trama do filme funciona demais, uma muito bem feita e executada. E me surpreendeu. Não esperava que fosse tão bem.

Juliana e Diogo, “O pastor e o guerrilheiro, Mercado filmes e A2 filmes, 2023

O filme é dirigido por José Eduardo Belmonte, mesmo diretor de “Se nada mais der certo” de 2008 e “Carcereiros: o filme” de 2019. O filme tá tecnicamente muito bem executado. As cenas conceituais se encaixam perfeitamente, sem ficar parecendo que o diretor ta querendo mostrar o que aprendeu na faculdade. O ritmo está bom das cenas, se bem que eu senti que no fim do segundo terço do filme ele começou a parecer longo, mas logo reata o ânimo e foi bem até o final. Enfim de direção, apenas elogios.

O roteiro é de José Eduardo Belmonte junto com Nilson Rodrigues, em seu primeiro grande trabalho como roteirista, e Josefina Trotta (“3%” de 2011 e “Meu nome é Bagdá” de 2020). A premissa é bem interessante e conseguiu ser passado com uma boa fluidez. O roteiro parte basicamente de três frentes diferentes que vão convergindo para um ponto e uma data. E as histórias são muito bem apresentadas, explicadas e conduzidas. Sem exageros e sem amenizações. Inclusive penso que é esse equilíbrio que colabore para essa fluidez e somado ao trabalho do diretor tanto as mensagens de primeiro plano, quanto as de pano de fundo sejam envolventes sem uma sensação de que estão me empurrando algo. Claro que quando se fala de uma temática política, haverão falas de viés ideológicos mais explícitos e diretos, contudo isso não sobrepõe a força dos dramas das personagens.

Miguel Souza (João), “O pastor e o guerrilheiro, Mercado filmes e A2 filmes, 2023

De elenco, como morador de Brasília, fico muito feliz com o trabalho dos artistas da cidade. Temos Johnny Massaro (“O filme da minha vida” de 2017 e “Dr Gama” de 2021) como Miguel Souza (João), um jovem idealista político de 1973. Cesar Mello (“A glória e a graça” de 2017 e “Minha vida em Marte” de 2018) como Zaqueu, o pastor. Julia Dalavia (“Até que a sorte nos separe” de 2012 e “Minha Família perfeita” de 2022) como Juliana, uma jovem universitária de 1999, que busca por respostas após a morte do seu pai biológico. Temos ainda: Gabriela Correia como Rachel e William costa como Jeremias, ambos filhos do pastor; Similião Aurélio como o ex soldado Oswaldo; Antônio Grassi como O advogado da família do Coronel; Túlio Starling como Diogo, namorado de Juliana; Ana Hartmann como Helena (Marta), companheira e namorada de Miguel Souza (João); Ricardo Gelli como Coronel Cruz, militar e pai de Juliana; e Cássia Kiss como Dona Ivani, avó de Juliana. E nesse ponto vocês sabem que sou chato, porém tirando raros momentos, não tenho mesmo o que reclamar do trabalho de atuação. Realmente muito bom.

Pastor Zaqueu, “O pastor e o guerrilheiro, Mercado filmes e A2 filmes, 2023

E sobre o que é o filme? Tudo começa com um coronel brasileiro e reformado, encerra sua vida. Logo descobrimos que Juliana é sua filha bastarda e tem uma parte na herança. Entre os pertences pessoais que ela teve acesso, Juliana descobre um livro autobiográfico de um guerrilheiro brasileiro da década de 70. Em paralelo a descoberta de Juliana, temos a história de um pastor em um dilema familiar de fundo ético-religioso. Juliana começa a ler o livro e a revisitar alguns lugares, pesquisar nomes e encontrar provas dos fatos narrados. E revivendo esses lugares, vamos vendo a história de Miguel Souza, e que ele não foi uma ficção. E ela vai buscando até que… bom, vou ter que parar por aqui senão vou acabar dando spoiler. Acho que você deveria mesmo ir assistir esse filme pois vale muito a pena.

Essa crítica da 4 de 5 para esse filme, sendo bem justo e sem forçar a barra.

Avaliação: 4 de 5.

O filme estreia dia 30 de março nos cinemas.

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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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