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Reviews e Análises

Morte do Demônio: A ascensão – Crítica

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Mamãe ama, mamãe cuida. Me sinto apenas o meme do Chaves entrando na casa de dona Clotilde. Um novo filme da franquia Evil Dead e está maravilhosamente bom. Claro que para os amantes de Terror. A disgrama tem o kit completo pra mexer com vários sentimentos e alguns tipos diferentes de medo. Inclusive pra mim, o filme foi 4d. Mas é filmaço. Agora… me deixou pensando: que seria da indústria do suspense se não existisse a igreja Cristã?

“A Morte do Demônio: A Ascensão”, Warner Bros, 2023

O filme tem a assinatura de Lee Cronin, mesmo dedinho malvado de “Minutos Depois da Meia Noite” de 2016 e “The Hole in the Ground” de 2019. O cara não economizou em efeitos e motivos pra você se assustar. O timing em que a história é conduzida não deixa você duvidar do que está na sua frente. O diretor conseguiu capturar e espremer o nosso psicológico como deve ser um bom filme de suspense. Mas ele não para no suspense, o terror desse filme é pesado. Moço, tenha dó.

O roteiro tem a psicografia de Lee Cronin, ou seja, vai saber até onde é imaginação fértil desse jovem. Texto tá bem escrito, motivos ajustados, razão do caos bem contado, sem pontas soltas, até a personagem do demo ta bem construída. Ta de sacanagem. Pra quem, como eu, é sensível a esse tipo de filme, cuidado, o trem é tenso.

Ellie versão acompanhada, “A Morte do Demônio: A Ascensão”, Warner Bros, 2023

No elenco temos no time principal Alyssa Sutherland (“O Diabo Veste Prada” de 2006 e “A Semente do Mal” de 2009) como Ellie, a mãe de geral ali e o ponto de equilíbrio, que foi tomado pelo demônio. Como os filhos de Ellie, temos Gabrielle Echols (“Caminhos da Memória” de 2021) como Bridget, a mais velha, já Morgan Davies (“Amigos para Sempre” de 2019 e “Blaze” de 2022) como Danny, filho do meio, e a pequena Nell Fisher como Kassie, a mais novinha. Lily Sullivan (“Mental” de 2012 e “Na Selva” de 2017) faz o papel de Beth, Irmã ovelha negra de Ellie e que dá o salve todos (que sobram). Na turma do morre rápido temos Mirabai Pease como Teresa, Richard Crouchley como Caleb, e Anna-Maree Thomas como Jéssica. O elenco além de muito bem escolhido, tem um trabalho que atende muito a proposta. A atuação está realmente ajustada e tanto cativa, quanto assusta em seus devidos momentos.

“A Morte do Demônio: A Ascensão”, Warner Bros, 2023

A história começa parecendo sexta-feira 13: Três Jovens numa cabaninha na beira do lago. Depois que rola aquela cagaço desse paranauê, somos levados a ver 15 horas antes. E é aí que caímos na casa de Ellie, tatuadora, aparentemente dedicada, uma mulher com 3 filhos: um filho cabeça de vento e DJ, uma criança (bem sendo criança perturbadinha) e uma adolescente melancólica que ouve Jão. Nesta noite chega, um pouco sem rumo, a tia Beth, a irmã tiete que fugiu com a turnê da banda. Para explicar o motivo da separação, Ellie manda os filhos comprar pizza. Na volta, como o cão é sujo, acontece um micro terremoto na cidade e o chão da garagem abre um buraco e o cabeça de vento chamado Danny, vai mexer onde não foi chamado. E aíiiiii… Ai começa o problema.. Mas eu não vou contar mais porque realmente vocês precisam viver essa experiência terrível. Boa sessão.

Essa crítica dá 5 de 5 para esse filme completamente se tremendo e com medo do 7 peles bater aqui na minha porta.

Avaliação: 5 de 5.

O filme estreia dia 20 de abril nos cinemas.

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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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