Reviews e Análises
Monster Hunter – Crítica
O novo filme do casal Paul W. S. Anderson e Milla Jovovich responde questões que nunca pensamos antes, tal qual “Como matar um monstro gigante no combate corpo a corpo?” Baseado no videogame homônimo da Capcon, Monster Hunter é caracterizado por armas gigantes para matar animais maiores ainda.

No filme, um grupo de soldados da ONU está procurando um comboio sumido e acaba sendo transportado para um mundo novo. Lá, Artemis (Milla Jovovich) se vê na pele de Bear Grylls e responsável pela sobrevivência de seu time num mundo inóspito onde todos os animais querem jantar os seres humanos.
O Caçador (Tony Jaa) tenta ajudar, e traz o que é a melhor parte do roteiro na minha opinião: Artemis e o Caçador não falam a mesma língua e tem que se virar na mímica e na confiança. Essa dinâmica rende algumas risadas e até eleva o roteiro que se apoia muito nas cenas de ação e nos monstros gigantes para segurar o filme.
Temos ainda a participação de Ron Perlman como o Almirante, sendo mais uma vez Ron Perlman no cinema. E, fechando o elenco que aparece muito rápido na tela temos T.I., Diego Boneta, Meagan Good, Josh Helman, Jin Au-Yeung, Hirona Yamazaki, Jannik Schümann e Nanda Costa.

O filme é mais uma obra com selo Paul W. S. Anderson de qualidade: muita ação, roteiro pra levar de uma explosão para a próxima. Com cenas que remetem diretamente a incongruência de um jogo com monstros gigantes. Literalmente vemos Milla Jovovich usar as Blade of Chaos (God of War) para bater nas canelas de monstros gigantes…

Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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Simões Neto
25 de fevereiro de 2021 at 16:06
Não dá pra esperar “muito roteiro” num filme desses. Só espero que seja divertido.
Baconzitos
25 de fevereiro de 2021 at 16:41
É divertido, Flodoaldo. Pode ir, vale o ingresso