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Reviews e Análises

M3gan – Crítica

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Filmécozinho que traz uma estética legal pra chamar a atenção, mas não engaja e nem assusta. Talvez por isso ele veio com tanto apelo no Tiktok e com os adolescentes. Mas acho que a versão todo mundo em pânico vai ser melhor.

M3gan e Cady, “M3gan”, Universal Pictures, 2023

O filme é dirigido por Gerard Johnstone, que tem em sua trajetória muito pouco trabalho e um outro filme de suspense chamado Housebound, de 2014. Olha. A fotografia é boa pra um filme adolescente, mas pra um suspense não. A direção faz escolhas acertadas, mas pra um suspense não. As tecnologias têm uma qualidade animatrônica legal, mas pra um suspense não. Ficaria legal como um drama, mas como um suspendesse…

O roteiro é de James Wan (“A Freira” de 2018, “Annabelle 3: de voltar pra casa” de 2019 e “Invocação do mal 3: a ordem do demônio” de 2021) e Akela Cooper (“Parque do Inferno” de 2018 e “Maligno” de 2021). Sabe quando te entregam uma premissa maravilhosa e você até acredita que vai dar muito bom, mas vem a realidade e derruba? Pois é. Tem construção de um texto legal, tem uma boa premissa, mas a execução deixou muito a desejar. Cheio de furos, zero assustador, e até risível em alguns momentos. O que não é de se esperar de um filme de suspense. Assim… definitivamente o roteiro não sustenta e dá uma cansada.

Cady, M3gan e Gemma, “M3gan”, Universal Pictures, 2023

O elenco é bem esforçado e bem jovem. Mostraram uma boa promessa, mas aqui foram pouco explorados. Temos Allison Williams (“Corra” de 2017 e “A perfeição” de 2018) como Gemma, a tia que acaba sendo a tutora de Cady e criadora da M3gan.. Ronny Chieng (“Godzilla vs Kong” de 2021 e “Shang-shi e a lenda dos dez anéis” de 2021) como David, o chefe de Gemma, Brian Jordan Alvares (“Presa em você” de 2018 e “A spy movie” de 2021) como Cole e Jen Van Epps (“Tratamento de Realeza” de 2022 e “Sem saída” de 2022) como equipe de criação de M3Gan e parceiros de Gemma.

As atrizes mirins foram espetaculares. Temos Violet McGraw (“Na companhia do Mal” de 2021 e “Viúva Negra” de 2021) como Cady, a criança motivo de toda a treta. E olha… que trabalho. E temos também Amie Donald fazendo a propria M3gan em seu primeiro grande trabalho em filme. Ambas maravilhosas em seu trabalho. Isso é o que vale a pena assistir.

M3Gan e Cole, “M3gan” Universal Pictures, 2023

Do que se trata essa obra do terror tecnológico moderno? Uma empresa de brinquedos infantis está numa empreitada de um novo fluffy tecnológico que tem conectividade inclusive com aplicativo para Tablet. Só que a concorrência consegue fazer mais barato. Em paralelo, um núcleo desta empresa está desenvolvendo uma boneca hiper realista com IA integrada e auto aprendizagem. Essa boneca, na fase testes recebe um comando que torna a coisa um pouco perigosa. Somado ao processo de aprendizagem constante como resposta auto evolutiva, essa boneca se torna uma máquina aterrorizantemente vingativa (em teoria). Não vou falar mais pra não estragar a experiência que já ta prejudicada.

Essa crítica da 1,5 de 5. Porque pelo menos você ri.

Avaliação: 1.5 de 5.

O filme estreia dia 19 de Janeiro nos cinemas.

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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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