Reviews e Análises
Destruição Final: O Último Refúgio – Crítica
O mais novo filme de Gerard Butler e Morena Baccarin é um thriller de ação que se passa nos momentos que antecedem uma catástrofe mundial. Mais um filme onde um cometa colide com a terra, mas que consegue fugir das tramas já utilizadas em Impacto Profundo, Armageddon e outros. Na trama seguimos a família dos Garrity que entre conflitos de relacionamento dos pais tenta se reestruturar ao mesmo tempo que tenta sobreviver a colisão de um cometa com o planeta terra.
O filme trabalha na tensão do início ao fim, te levando em um turbilhão de emoções pelas suas duas horas de duração. Dirigido por Ric Roman Waugh (Invasão ao Serviço Secreto, Sem Perdão, O Acordo) o filme bem que poderia ser do Michael Bay, pois é cheio de explosões, bolas de fogo, tiro, porrada e correria. O roteiro explora bem o caos que tomaria o mundo e a civilização quando todos sabem que em alguns dias todos morrerão.
O público compra o desespero de John e Allison Garrity (Butler e Baccarin) em salvar o filho Nathan, interpretado muito bem por Roger Dale Floyd (Doutor Sono). As reviravoltas do roteiro e a tensão de que alguma coisa vai dar errado durante toda a jornada da família mantém os expectadores na pontinha da cadeira. O filme entrega exatamente o que se propõe, explosões, ação, drama, tensão e diversão.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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Simões Neto
24 de novembro de 2020 at 16:51
Diretor conseguiu passar urgência e tensão nas situações mostradas no filme. Bom filme.