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Reviews e Análises

Desejo Proibido – Crítica

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Ahhhh que delícia de filme pra arrepiar a nuca daquele povo que já esqueceu o que é uma pegada com vontade. Aquele soft porn com muita poesia para embelezar um romance perigoso. A turma do sonho de princesa que encontra o vagabundo que tem a vida transformada pode animar as borboletas. Em breve nos cinemas: Desejo Proibido.

Olga e Maks, “Desejo proibido”, Paris Filmes, 2023

O Filme é dirigido por Tomasz Mandes, o mesmo diretor da trilogia “365” de 2020 – 2022. Uma fotografia e ritmo muito semelhantes. Uma condução muito parecida, porém com mais experiência. A direção faz seu trabalho muito bem e apresenta um resultado competente, mas sem grandes destaques. Se tivesse que destacar algo é que a trilha funciona bem e está bem presente e a fotografia é cheeeeeia de filtro, mas é muito bela.

O roteiro carrega a assinatura de Tomasz e Mojca Tirs (“365 dias: hoje” de 2022) e já mostra o que eles são bons de contar. Aqui temos um romance apimentado daqueles que você se pergunta: quem vai gostar? E a resposta é: um monte de gente. A história tem mais profundidade que 365, mas não é um compêndio sobre as relações humanas. O plot é clichê, as falas e as cenas são bem organizadas e o desenvolvimento ta encaixado. Em resumo: Dever de casa feito. Mas vou entregar aqui: tem algumas cenas ali que são só preliminares pro próximo catranco.

Maks e Maja, “Desejo proibido”, Paris Filmes, 2023

No elenco temos um povo bonito. Começamos com Magdalena Boczarska (“A arte de amar” de 2017 e “Partida fria” de 2019) como a juíza Olga e interpretando sua filha Maja, temos a atriz Katarzyna Sawczuk (“Destemida” de 2020 e “Plano de aula” de 2022). E pra bagunçar o coreto e as florezinhas temos o gostosão do Maks, interpretado por Simone Susinna (“365 dias: hoje” de 2022). Vamos dizer que é uma atuação de sessão da tarde para um roteiro de cineband privê com milanesa e tudo.

“Desejo proibido”, Paris Filmes, 2023

Vamos entregar o ouro agora para que você se organize e veja se vale a pena ir assistir. Olga é uma juíza bem estabelecida, e em sua pausa no trabalho, recebe o flerte de um jovem bonitão chamado Maks em uma cafeteria. Esse flerte fatal é o início de uma situação complexa pra muita gente. O tal Maks é testemunha de um caso em que a juíza está trabalhando e é também amigo com benefícios de uma outra jovem que gosta de um bom barraco. Maks é de fato jovem, porque haja libido e Olga tem é lenha guardada pois, os dois juntos é um fogo absurdo. É cada olhou, sorriu… Mas vou contar mais não. Chega que até eu me animei aqui. Assiste lá e depois me diga o que achou.

Essa crítica dá 2,5 de 5 pra esse filme por considerar que ele é assim: mediano sim.

O filme estreia dia 06 de abril nos cinemas.

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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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