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Cinemateca Brasileira apresenta a Retrospectiva Pedro Almodóvar, de 04 a 15 de março
Realizada em parceria com a Embaixada da Espanha e o Instituto Cervantes, a mostra exibirá 20 títulos do diretor; as sessões de A Lei do Desejo, De Salto Alto e Kika, serão em 35mm; já os filmes O quarto ao lado, A Pele que habito, Fale com ela, Mulheres à beira de um ataque de nervos, Tudo sobre minha mãe, Volver e Maus hábitos serão projetados na tela externa
Entre os dias 04 e 15 de março de 2026, a Cinemateca Brasileira, a Embaixada da Espanha no Brasil e o Instituto Cervantes apresentam a Retrospectiva Pedro Almodóvar, reunindo cerca de 20 filmes do diretor espanhol que atravessam mais de quatro décadas de uma das filmografias mais marcantes do cinema contemporâneo. Sua irreverência, uso expressivo das cores, citações da cultura popular e narrativas complexas redefiniram o melodrama, criaram uma variedade de comédia e construíram personagens femininas tão singulares que cunharam o termo “almodovarianas”.
Apesar de sua estética única, é possível considerar diferentes momentos da obra de Almodóvar que dialogam diretamente com transformações históricas, culturais e pessoais. Seus primeiros filmes surgem no contexto da Espanha pós-franquista, em meio à efervescência da Movida Madrilenha, movimento contracultural que emergiu em Madri durante os anos finais da década de 1970 e os primeiros anos da transição democrática. Alimentada por influências do punk, do underground e das culturas alternativas europeias, a Movida expressava a liberação cultural e ideológica após décadas de repressão, projetando a imagem de uma Espanha que buscava se reinventar como moderna e aberta ao mundo. É nesse ambiente que Almodóvar inicia sua trajetória cinematográfica, com obras marcadas pela energia anárquica, pela provocação e por um modelo de produção independente, em que a sexualidade explícita, a fluidez de gênero, o humor transgressor e as narrativas fragmentadas se impõem mais pelo choque do que pelo acabamento formal.



A partir do final dos anos 1980, sem abandonar o excesso nem o humor, o diretor passa a trabalhar com maior rigor narrativo e estilístico, encontrando um equilíbrio único entre liberdade e planejamento estético. O melodrama clássico é reinterpretado por meio do camp, das cores saturadas e de personagens femininas fortes. Esse período marca sua consolidação como autor e inicia sua projeção internacional. O universo almodovariano se torna imediatamente reconhecível, combinando sexualidade, identidade e desejo com estruturas narrativas mais coesas e um refinamento visual cada vez mais elaborado.
Nos anos 1990 e início dos anos 2000, Almodóvar se torna mais introspectivo. A provocação dá lugar a reflexões sobre temas como luto, maternidade, memória e culpa, por meio de melodramas menos irônicos e mais diretamente afetivos. Esse período é frequentemente apontado pela crítica como um dos momentos mais altos de sua carreira, em que emoção, forma e narrativa atingem plena maturidade.
A partir do século 21, Almodóvar mergulha ainda mais profundamente em suas obsessões. Seus filmes, agora mais frios, controlados e inquietantes, incorporam elementos do suspense psicológico e exploram questões como identidade, repressão, trauma e voyeurismo. O protagonismo masculino passa ao primeiro plano, o tom se torna mais sombrio e a sensação de desconforto substitui parte do calor e alegria que marcavam suas produções anteriores. É um momento de confronto direto com as zonas mais obscuras de sua filmografia e de seu imaginário.




Nos trabalhos mais recentes, o diretor assume um registro ainda mais pessoal e reflexivo. O envelhecimento, a memória, a doença, o legado artístico e a própria história da Espanha ganham destaque em narrativas mais contidas e depuradas, em que personagens artistas ocupam o protagonismo. Sem renunciar à precisão formal, Almodóvar aposta no silêncio para revisitar sua trajetória. Essa fase final pode ser entendida como um autoexame, em que o cineasta olha para o próprio percurso e pergunta, com lucidez e melancolia, pelo sentido de tudo o que foi construído ao longo de sua carreira.
A retrospectiva contará com cópias em 35mm preservadas pela Cinemateca Brasileira dos filmes De Salto Alto, Kika e A Lei do Desejo. Todas as sessões são gratuitas e os ingressos são distribuídos uma hora antes do início de cada exibição.
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
Horário de funcionamento
Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h
Salas de cinema: conforme a grade de programação.
Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados
Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)
Sala Oscarito (104 lugares)
Área externa (300 lugares)
Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão




04 de março, quarta-feira
19h30 I O quarto ao lado*
* Sessão na tela externa
05 de março, quinta-feira
17h30 I Dor e glória
20h I A pele que habito*
* Sessão na tela externa
06 de março, sexta-feira
17h30 I Abraços partidos
20h I Fale com ela*
* Sessão na tela externa
07 de março, sábado
15h I A lei do desejo (35mm)
17h30 I Matador
20h I Mulheres à beira de um ataque de nervos*
* Sessão na tela externa
08 de março, domingo
15h I De salto alto (35mm)
17h30 I Má educação
20h I Tudo sobre minha mãe*
* Sessão na tela externa
11 de março, quarta-feira
20h I Volver*
* Sessão na tela externa
12 de março, quinta-feira
20h I Maus hábitos*
* Sessão na tela externa
13 de março, sexta-feira
17h30 I Ata-me
20h I Carne trêmula
14 de março, sábado
17h30 I Kika (35mm)
20h I A flor do meu segredo
15 de março, domingo
15h I O que eu fiz para merecer isto?
17h30 I Labirinto de paixões
20h I Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão
Notícias
Sergio Rezende começa a filmar o longa “O Faraó dos Bitcoins”, sobre uma das maiores fraudes financeiras do Brasil
Longa-metragem é estrelado por Christian Malheiros e Lorena Comparato
A história de uma das maiores fraudes financeiras do Brasil chegará aos cinemas com o longa-metragem de ficção “O Faraó dos Bitcoins”, que começou a ser rodado nesta semana no Rio de Janeiro. Com direção de Sergio Rezende, que também assina o roteiro junto com Dida Andrade, o filme traz um roteiro eletrizante, baseado no livro “Queda Livre”, dos jornalistas Isabela Palmeira e Chico Otávio. A trama revela os bastidores do esquema arquitetado por Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, interpretado por Christian Malheiros. Ele e sua mulher, Mirelis Diaz (Lorena Comparato), lideraram uma gigantesca pirâmide financeira disfarçada de investimento em criptomoedas, que movimentou cerca de R$ 38 bilhões e lesou mais de 300 mil pessoas. O filme é produzido por Tiago Rezende, da Morena Filmes, em coprodução com a Paris Entretenimento. A distribuição é da Paris Filmes.
A trajetória de Glaidson, interpretado por Christian Malheiros, mistura ambição e uma escalada de violência digna de um roteiro de cinema. O roteiro reconstrói a trajetória de Glaidson, um ex-pastor e ex-garçom que, em poucos anos, transformou-se no “Rei de Cabo Frio” ao movimentar bilhões de reais através da GAS Consultoria e Tecnologia, fundada em 2015. Prometendo um rendimento fixo de 10% com investimentos duvidosos em criptomoedas, ele atraiu desde moradores de periferia e fiéis de igrejas até grandes empresários e celebridades, vendendo a promessa da prosperidade em meio ao cenário devastador da pandemia da COVID-19.
Mais do que uma crônica sobre crimes financeiros, o filme se aprofunda na intimidade e na cumplicidade entre Glaidson e sua esposa, a venezuelana Mirelis Diaz. Apontada pelas investigações como o verdadeiro “cérebro” do sistema operacional e financeiro da empresa, Mirelis divide com ele o protagonismo dessa saga que transita rapidamente do luxo extravagante ao colapso absoluto, culminando em investigações federais, disputas violentas com concorrentes e o rastro de milhares de clientes lesados.
O roteiro acompanha os desdobramentos reais que incluíram a falência da empresa com dívidas bilionárias e as condenações dos envolvidos, jogando luz sobre a ganância e sobre dualidade entre a fé e a ambição no Brasil atual.
FICHA TÉCNICA
Direção – Sergio Rezende
Roteiro – Sergio Rezende e Dida Andrade
Direção de Fotografia – Nonato Estrella
Produção – Tiago Rezende
Coprodução – Mariza Leão
Produção Executiva – Mariza Figueiredo
Direção de Arte – Fabi Egrejas
Figurino – Pilar Salgado
Maquiagem – Luiz Gaia
Montagem – Maria Rezende
Técnico de Som – Felipe Machado
Produção – Morena Filmes
Coprodução – Paris Entretenimento
Distribuição – Paris Filmes
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