Reviews e Análises
Bela Vingança – Crítica
Dirigido e escrito por Emerald Fennell, Bela Vingança (Promising Young Woman) segue a vida de Cassie (Carey Mulligan), uma ex-estudante de medicina que hoje trabalha em um café. Uma mulher inteligente, bela e vingativa; leva uma vida dupla até reencontrar com um antigo colega da faculdade.
A estória do filme é cativante e segura o público logo no início e vai revelando a trama e as personagens de forma sutil, inteligente e até cômica. O título em inglês é uma afronta ao termo “promising young men” – jovens adultos promissores – muito usado para identificar homens universitários acusados de estupro nos EUA. E é sobre esse tema que o filme circula.
Carey Mulligan carrega o filme nas costas muito bem com uma atuação que vai até a sutileza na mudança de postura ou feição. O elenco conta também com Laverne Cox e Bo Burnham como Gail, a melhor amiga, e Ryan a nova paixão de Cassie. Temos ainda presenças ilustres como Adam Brody, Clancy Brown, Jennifer Coolidge e Alison Brie.
Um suspense de vingança que, em alguns momentos pode ser confundido com uma comédia romântica e que toca na ferida de uma forma precisa. Um ponto onde o filme se ressalta, em minha humilde opinião, é no uso de músicas pop rearranjadas para que soem sinistras. Não é a toa que foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, direção, atriz, roteiro e montagem.

Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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