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Reviews e Análises

Michael – Crítica

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Jaafar Jackson interpreta Michael Jackson em cena do filme “Michael”, cinebiografia sobre o rei do pop

Por Felipe Laganá

“Michael” é um dos filmes mais aguardados do ano e a principal estréia desta semana nos cinemas brasileiros. A proposta do longa é simples: contar parte da biografia de um dos maiores cantores que já existiram, Michael Jackson (interpretado pelo sobrinho do cantor, Jaafar Jackson). O filme acompanha a ascensão do rei do pop com os Jackson 5, mostrando sua trajetória até alcançar seu ambicioso objetivo de se tornar o maior artista do mundo.

Ao falar de “Michael”, é importante dar destaque aos dois atores que vivenciam o rei do pop nas telonas: o jovem Juliano Krue Valdi, que o interpreta quando criança; e Jaafar Jackson. Ambos em seus papeis de estréia no mundo cinematográfico, os dois atores dão uma aula de carisma, presença de palco e puro entendimento do comportamento do rei do pop. O entusiasmo dos dois atores quando estão em cena é contagiante e a verdadeira alma do filme, fazendo o espectador se sentir em um verdadeiro show.

As primeiras cenas de Jaafar Jackson no papel podem soar um pouco estranhas, parecendo muitas vezes uma caricatura do tio. Isso não chega a incomodar tanto justamente por conta das cenas musicais em excesso, que é onde o dançarino brilha de verdade. Outros atores, no entanto, são de certa forma ofuscados, como Colman Domingo, que apesar de ser o grande destaque dramático, muitas vezes é esquecido na trama e deixado de lado.

Michael é um filme que segue um roteiro simples, como já foi visto diversas vezes em filmes como “Bohemian Rhapsody” ou “Elvis”. É uma cinebiografia que não faz questão de fugir de uma estrutura já explorada por outros longas do gênero, com foco no sucesso da carreira (e direito a inúmeras cenas de montagens musicais) em contraponto com dramas pessoais. Joseph Jackson (Colman Domingo), o pai do rei do pop é, nesse caso, o principal núcleo dramático e antagônico da história. 

Apesar de ser um filme clichê e previsível, Michael ainda consegue emocionar e gerar bons momentos de diversão. Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) não se propõe a dirigir um filme complexo e foca no simples porque sabe que funciona. O longa é uma ótima pedida para os fãs do rei do pop ou para aqueles que só gostam de um bom “filme pipoca” para assistir nos cinemas com a família ou amigos. 

Nota: 3/5

Avaliação: 3 de 5.
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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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