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Reviews e Análises

The Flash – Crítica

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E lá vem o filme do Flash. E assim como Barry Allen, o alter-ego do herói que vive atrasado, o filme tem na conta mais de cinco anos de adiamentos, já que a primeira notícia sobre ele era de que seria lançado em 2017. Muito mudou de lá para cá. Seja para o bem ou para o mal. E, independente do que vier daqui pela frente pelas mãos de James Gunn, The Flash não pensa no futuro. Muito pelo contrário. Aqui, é o passado o que importa.

https://youtu.be/xMbg-ZsFCCo

No começo do filme encontramos o herói (Ezra Miller) trabalhando no departamento de perícia da polícia de Central City, enquanto ajuda os outros heróis da Liga da Justiça em tarefas heroicas. Ao mesmo tempo, Barry tenta inocentar o pai, ainda acusado de ter matado a própria esposa. Lá pelas tantas, ele percebe que pode voltar no tempo e corrigir as coisas como aconteceram, sem atrapalhar muito a linha do tempo.

É claro que a aventura temporal não anda bem como ele gostaria e toda a linha do tempo é rearranjada. Apesar de consertar as coisas com os pais, as ações de Barry mudam muitos fatos do multiverso. Não vou detalhar mais para não estragar as possíveis surpresas. O que posso dizer é que o roteiro é intrincado e criativo na medida certa para alcançar fãs de quadrinhos, de cinema e de ficção-científica, sem ficar muito didático ou muito complexo.

A história vai para um lado que me surpreendeu e, apesar de render certas homenagens ao quadrinho “Ponto de Ignição”, uma das mais famosas do velocista escarlate, em outras difere tanto que fica difícil dizer que se basearam nela para escrever esse roteiro. Enfim, quem leu vai entender.

A direção de Andy Muschietti (It – A Coisa) tem um prisma bem interessante, com ideias muito boas para o uso da velocidade do Flash, sem muito abuso de câmeras lentas, apesar de ter ela várias vezes no decorrer do filme. Na hora de mostrar o Batman em ação, Muschietti capricha e deixa tudo muito mais épico. Ele realmente parece ter entendido o que é um filme de quadrinhos.

Antes de prosseguirmos com os elogios, vamos logo falar mal do que precisa ser falado. O CGI do filme está horroroso. Principalmente na sequência inicial. Em alguns momentos eu me senti assistindo ao terrível “Filho do Máskara” de tão ruim que é o negócio. Bebê digital não dá, né gente? Acredito que faltou orçamento aqui. As cenas também de “volta ao tempo” possuem um CGI horrível. Dava para terem pensado em uma ideia melhor se não podiam pagar uma equipe para consertar isso. Infelizmente esse CGI me tirou do filme em diversos momentos, o que acaba atrapalhando o bom desenvolvimento da história.

E olha que a história não é ruim. O roteiro com certeza é o mais bem humorado dos filmes da DC, mas é um humor realmente que vale a pena, não aquelas bobagens que colocaram no Liga da Justiça do Joss Whedon ou nos filmes do Shazam. Por incrível que pareça, Ezra Miller segura bem o texto e o humor físico, mesmo contracenando em quase 100% do filme com a cópia de si mesmo. E sim, o Barry adolescente é insuportável.

Todos já sabem, devido aos trailers, que lá pelas tantas aparece o Batman interpretado por Michael Keaton, que o viveu nos cinemas no final dos anos 80, nos filmes dirigidos por Tim Burton. Pois é importante dizer que essa é apenas a ponta do iceberg de um filme que olha com carinho para o passado da DC no cinema e tenta fazer uma homenagem da melhor maneira possível. Nem sempre satisfatória, nem sempre surpreendente, mas com certeza bem respeitosa.

A Supergirl de Sasha Calle poderia render momentos mais interessantes e perde força no último ato. Mas como o filme é do Flash, cabe a ele brilhar. E isso pelo menos devemos ser justos: apesar de nos trailers parecer que é o Batman quem vai resolver a coisa toda, o filme ainda é muito sobre o Flash e seus dilemas.

Para os fãs mais antigos tem easter eggs à vontade para aplacar a nostalgia. Muitos gratuitos, vários bem interessantes e alguns, em particular, bem surpreendentes. Mesmo assim, isso não se sobressai ao filme, que tem uma história para contar. Uma história sobre um herói por acidente chamado Barry Allen. Que só queria salvar a sua mãe e o seu pai. E essa é uma história bem bonita e emocionante.

Avaliação: 4 de 5.

PS: o filme tem uma cena lá no final, depois que subiram todos os créditos. É uma cena bem dispensável e eu só recomendo para quem é muito fã do Snyderverso ou para quem não tem mais o que fazer depois da sessão.

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O Fim da Rua – Crítica

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O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.

Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.

Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.

Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.

No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.

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