Reviews e Análises
Até os Ossos – Crítica
Até os Ossos (Bones and All) é um filme difícil de digerir. A história segue a trajetória de Maren (Taylor Russel), uma jovem mulher que precisa aprender a lidar com uma situação incontrolável de seu próprio ser: uma sede e fome incontrolável por carne humana. Sim, ela descobre que é uma canibal e não por opção, mas por necessidade.
No decorrer de sua jornada de entender quem é e como sobreviver em uma sociedade que com certeza não entende os seus atos, ela conhece alguns personagens como Sully, interpretado pelo sempre brilhante Mark Rylance. Sully ensina ela a farejar outros como ela, que ele chama de Devoradores.
Em sua jornada para encontrar sua perdida mãe, Maren conhece outro devorador, Lee (Timotheé Chalamet), por quem se apaixona e vive desventuras durante o resto de todo o filme. Os dois precisam aprender a lidar com sua situação, ao mesmo tempo de que vivem o dilema de que o que fazem não é legal.
O filme é baseado no livro de Camille DeAngelis e é dirigido por Luca Guadagnino, diretor de Me Chame pelo seu Nome e Suspiria: A dança do medo. O diretor consegue misturar suspense, romance e terror de uma forma bem equilibrada, enquanto que o roteiro consegue mesclar bem todos esses momentos e criar uma história competente e intrigante. As atuações são excelentes e a química entre o casal principal é boa.
O choque fica para a crueza das cenas de canibalismo, com sangue transbordando pela tela. Filme forte e cru para os mais acostumados com esse tipo de filme. Quem é meio fraco para ver sangue não deve assistir pois vai passar mal. Estejam avisados.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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