Reviews e Análises
Lucicreide vai pra Marte – Crítica
Fabiana Karla protagoniza essa comédia sobre Lucicreide, personagem que a atriz interpreta há anos em programas da TV Globo como Zorra Total. Na história, Lucicreide não consegue suportar mais a sua vida com cinco crianças para criar, abandonada pelo marido e tendo que aturar a sogra caloteira e a vizinha caolha e fofoqueira. Desejando desaparecer da face da Terra, ela acaba sendo acidentalmente selecionada para um programa de treinamento espacial que pretende levar uma pessoa, em viagem só de ida, para a colonização de Marte. Sim, o argumento é ruim assim.
Com um roteiro cheio de inverossimilhanças e situações ridículas, o filme é uma sucessão de cenas que farão rir apenas ao público que busca por uma diversão sem cérebro. A única coisa que realmente se destaca, e que até mesmo salva o filme de não ser uma perda de tempo completa, é a performance e o trabalho de Fabiana Karla. Ela domina tão bem o personagem, que em momentos em que claramente o texto é uma improvisação da atriz, passa como se ela tivesse ensaiado aquilo. Os termos regionais exagerados e encenação característica de Karla são muito interessantes e fazem realmente qualquer um rir. As cenas delas com o macaquinho são muito engraçadas mesmo.
No geral, a direção do estreante Rodrigo César deixa a desejar, assim como a montagem, que tenta usar recursos de zoom e câmeras lentas e aceleradas que demonstram que ainda há muito a se evoluir no cinema nacional. As participações especiais de Falcão, Batoré e do influencer Carlinhos Maia não são significativos, com cenas que não acrescentam em nada ao filme, apenas trazem mais vergonha ao resultado final. Por falar em vergonha, o filme ainda tenta homenagear duas franquias de “filmes de temática espacial” e falha miseravelmente. Realmente fica difícil torcer pelo sucesso do cinema nacional. Uma pena para Fabiana Karla, que é tão talentosa.
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
-
Podcasts3 semanas agoQIA 359 – 10 Anos de Portal Refil
-
CO23 semanas agoCO2 425 – Cantinho do Peido na Escola, Disney Cortando Benefícios e Mel Brooks aos 100 Anos!
-
Reflix2 semanas agoReflix 184 – John Stewart não caiu por acaso no caminho de Hal Jordan
-
Notícias3 semanas agoCom ingressos a partir de R$ 10, Warner Bros. Pictures participa da ‘Semana do Cinema’ estreando ‘Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor’

