Reviews e Análises
Os 30 anos de Os Aventureiros do Bairro Proibido
Sim gente, 1986 foi um ano importante no cinema, então teremos
mais textos pela frente. E se reclamar vai ter mais ainda. Pois bem, dizia eu que na
aritmética…
Dirigido e concebido por um dos mestres do horror, John
Carpenter, Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in the Little China-EUA)
é considerado um clássico do cinema de aventura dos anos 80.
A história se concentra em um típico americano, o
caminhoneiro Jack Burton (Kurt Russel), que se envolve em uma briga milenar de
Chinatown depois que Miao Yin (Suzee Pai), noiva de seu parça Wang Chi (Dennis
Dun) é raptada por um nojento, asqueroso, tarado e gagá (Que risada é aquela?) mago
de 2 mil anos de idade chamado David Lo Pan, interpretado pelo folclórico James
Hong.
Creio que David é nome artístico, só pode.
Lo Pan foi amaldiçoado pelo imperador soberano da China com
um corpo sem “nenhuma carne”. A fim de recuperar sua forma natural
ele deve encontrar uma garota de olhos verdes e casar-se com ela e depois
sacrificá-la para apaziguar Shintai. Em sua origem, é uma raça mítica de descendentes
de deuses orientais que caíram em desgraça pelos seus atos indignos.
Como se não fosse suficiente, Burton acaba tendo o seu verdadeiro
amor, seu caminhão, roubado nessa confusão, forçando-o a entrar de cabeça em
uma luta com entidades místicas e porradeiras. Além disso, o seu “crush” (nóis
é modinha), a advogada de direitos humanos Gracie Law que não tinha relação com
a história, mas estava no lugar errado, na hora errada, interpretada pela linda
Kim Cattrall é também raptada também pelo bando do mago, uma vez que o velho mago
tem cara de ser chegado em uma suruba.
David, para unir o útil ao agradável decide que Miao Yin
será a noiva, e Law, o sacrifício. Para garantir que seu plano dê certo, ele
possui um exército que controla Chinatown e três asseclas de elite conhecidos
como Os Três Temporais.
Os três são destaque no filme, cada um representando um
elemento, Trovão (Carter Wong), Chuva (Peter Kwong), Relâmpago (James Pax), mas
infelizmente eles não formam um robô gigante.
Determinados em resgatarem suas amadas, Burton e seu parça
partem para essa aventura cheia de altas confusões, contando com a ajuda de um
bando de figurantes que vão morrendo durante o filme. Este grupo é comandado
pelo feiticeiro Egg Shen, interpretado por Victor Wong. Na verdade, Wong
só fez um personagem a vida toda, o mestre oriental-magia de camponês f$&%*
pra carai, vide o rapto do menino dourado.
Aliás, o filme inicia-se com Wong contando para a polícia
como tudo aconteceu.
Durante essa jornada, eles encaram uma briga em
um cortejo fúnebre, um labirinto com um beholder, 3 figurantes do Mortal Kombat
com sangue nos olhos, bebem um suco gummy suspeito e “derrotam” um monstro que
vive nos esgotos. Em suma, a receita de sucesso de um clássico da Sessão da
Tarde.
Algumas curiosidades sobre o filme:
– O filme foi um fracasso de bilheteria, custou U$20 milhões
e faturou somente U$11 milhões. O diretor credita o desempenho a falta de
promoção do filme pela FOX na época estava mais preocupada com Aliens que saiu
no mesmo período.
– Esse fato fez com que João Carpinteiro se afastasse dos
grandes estúdios por anos, mesmo se tornando um sucesso em home vídeo.
– Inicialmente o filme seria uma aventura de velho oeste,
mas a pedido do estúdio, teve seu roteiro reescrito para se encaixar em algo
mais contemporâneo. Na primeira versão, Burton perdia o seu cavalo ao invés do
caminhão.
– O filme teve sua produção acelerada para que não
concorresse nos cinemas com O Rapto do Menino Dourado, já que ambos tinham
temática parecida e na época Eddy Murphy era garantia de sucesso de bilheteria.
– Lo Pan e Relâmpago, respectivamente, serviram de base para
o desenvolvimento dos lutadores Shang Tsung e Raiden de Mortal Kombat. (Ah vá?
Sério, nem imaginava isso #SQN)
– Jack Nicholson e Clint Eastwood recusaram o papel de Jack
Burton que acabou sendo imortalizado por Russell.
Por fim, por onde anda o elenco principal de “As aventuras
de Jack Burton nas garras do Mandarin”, título dado em Portugal:
Kurt Russell-Ator preferido de Carpenter e seu amigo pessoal
levantou pesos (Birrlll) e começou a correr dois meses antes do início da
produção, por isso seu visual pseudo Stallone. Kurt é um dos atores que mais
participou de filmes que viraram cult ao longo dos anos como Carros Usados
(1980), Fuga de Nova York (1981), Enigma do Outro Mundo, O (1982) e Fuga de Los
Angeles (1996), atualmente o ator anda no ostracismo já que andou recusando
papel no filme Mercenários de Stallone, ironicamente fez Tango e Cash com o
próprio Stallone. Quentin Tarantino também já tentou trazer Kurt de volta aos holofotes,
mas sem grande sucesso como o filme À Prova de Morte (2007).
Kim Cattrall – A atriz inglesa tem como maior sucesso até
hoje a sexy Samantha na série Sex and the City. A atriz já declarou que não
quer saber de plásticas. Em entrevista ao Daily Mail, a atriz, que tem 55 anos,
contou que quer envelhecer graciosamente. Declarou “Na minha vida e
carreira eu quero encarar o envelhecimento porque eu acho que isso
interessante”. Numa das grandes tiradas do filme o personagem de Dennis
Dun diz: “O lance é parecer idiota”, Grace Law rebate: “Ele
parece” sobre o personagem Jack Burton.
Dennis Dun – Teve papéis de destaque em vários filmes como
Ano do Dragão ( 1985 ), O Último Imperador ( 1987 ), Príncipe das Trevas ( 1987
), Guerreiros da Virtude ( 1997 ). Durante três temporadas, ele era um membro
regular do elenco na NBC de televisão série Midnight Caller (1988-1991)
James Hong – O veterano ator asiático ainda está em plena
atividade, Hong é conhecido também por estrelar Blade Runner , recentemente fez
dublagem em Kung Fu Panda 2 e 3, além de aparecer na já cancelada série Hora do
Rush.
anos em 2001. As frases mais marcantes do filme são dele como: “Os chineses misturam tudo, olhe só com
o que eles tem que lidar tem o budismo, o confucionismo, a alquimia do taoísmo
e a bruxaria pegamos o que queremos e deixamos o resto”.
deseja casar. Até mesmo nos dias de hoje, Suzee Pai é um mistério. esta linda
morena nasceu em 8 de agosto de 1962 em Toledo, Ohio. Suzee foi destaque na
Penthouse do Mês em Janeiro de 1981, fez um pequeno papel em Rambo – First
Blood (1982) onde num bordel em Saigon John Rambo, fixa seu olhar na mulher
mais linda do bar, nada mais nada menos que Suzee Pai. A cena que foi cortada da
versão final do filme aparecendo somente nas cenas deletadas do Blu-Ray. Mesmo
sendo cultuada pelos fãns do filme, está desaparecida da mídia.
Saiba mais sobre esse clássico oitentista no
Jurassicast 16
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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