Reviews e Análises
Medida Provisória – Crítica

Em um futuro não tão distópico, o governo brasileiro decreta uma medida provisória que obriga os cidadãos negros a migrarem para a África. A princípio uma sugestão, no melhor estilo “Brasil ame-o ou deixe-o”, e depois transformado em perseguição, o filme mostra o que pode acontecer quando o extremismo é levado a sério.
O argumento maravilhoso do roteiro de que a iniciativa seria uma forma de reparação ao nosso passado escravocrata e assassino é simplesmente genial. Pois é real. Principalmente nos dias de caquistocracia em que vivemos.
A obrigatoriedade de expulsão do país de cidadãos negros, que agora são chamados de melanina acentuada, em mais uma crítica ao politicamente correto que nos assola, afeta diretamente a vida do casal Capitú (Taís Araújo) e de Antonio (Alfred Enoch), assim como a do primo André (Seu Jorge), que divide apartamento com os dois.
Quando a coisa toda acontece e a polícia começa a arrastar as pessoas e levá-las contra a sua vontade para a deportação, vemos tudo o que pode acontecer em um futuro (ou presente) onde as regras são escritas de cabeça para baixo. Quilombos são reerguidos, os apartamentos se tornam os últimos refúgios das pessoas que ainda resistem, a tortura e o assassinato relembram o período mais obscuro de nossa história.
O filme é uma adaptação da peça “Namíbia, Não”, de Aldri Anunciação e dirigido por Lázaro Ramos. Com uma câmera leve, a história corre por nossos olhos como um prenúncio de um desastre. E nos sentimos impotentes, assim como os protagonistas. Que precisam lutar, mas são vencidos pelo sistema. Como resistir? Como lutar sem agredir? Questões como vingança e justiça olho por olho e dente por dente também são colocadas em pauta de forma brilhante.
Um filme mais do que necessário para tempos desnecessários. Um brado retumbante que precisa ser ouvido e interpretado. Até onde vamos?
Reviews e Análises
Mickey 17 – Crítica

Mickey 17 é o filme mais recente de Bong Joon Ho (Parasita 2019) que desta vez nos traz uma ficção científica onde a clonagem (ou seria replicação?) de seres humanos existe. Nesse universo Robert Pattinson é Mickey Barnes, um dispensável – um funcionário descartável – em uma expedição para o mundo gelado de Nilfheim.
Mickey é recriado após cada missão extremamente perigosa que normalmente acaba em sua morte. O filme segue a décima sétima versão de Mickey que também é o narrador de como ele foi parar nessa roubada. E conta como as 16 vidas passadas foram muito úteis para a sobrevivência do restante da tripulação e passageiros da nave. Tudo ocorre muito bem até que, ao chegar de uma missão Mickey 17 se deita em sua cama e Mickey 18 levanta ao seu lado.
No elenco temos Steven Yeun (Invencível) como Timo, o melhor amigo de Mickey. Naomi Ackie (Pisque duas Vezes) como sua namorada Nasha e Mark Ruffalo (Vingadores) como Kenneth Marshal o capitão da nave.
O roteiro do filme foi adaptado do romance Mickey7 de Edward Ashton e foi anunciado antes mesmo da publicação da obra. Ele é cheio de críticas sociais, algo muito comum nos trabalhos de Bong Joon Ho, que usa a nave, sua tripulação e seus passageiros como um recorte da sociedade. Com um seleto grupo cheio de regalias enquanto a massa tem que contar minunciosamente as calorias ingeridas, pessoas com trabalhos simples e outras literalmente morrendo de trabalhar em escala 7×0.
Robert Pattinson quase carrega o filme nas costas, mas Mark Ruffalo também dá um show de interpretação junto de Toni Collette. Infelizmente Steven Yeun não se destaca muito e fica dentro da sua zona de conforto, mas não sabemos se o papel foi escrito especificamente pra ele. O elenco entrega muito bem as cenas cômicas e também as dramáticas, o que não te faz sentir as mais de duas horas de filme passarem.
Mickey 17 é um filme de ficção com um pé bem plantado na realidade que te diverte do início ao fim.
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