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Reviews e Análises

Exit 8 – Crítica

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Pôster do filme Exit 8 mostrando um corredor subterrâneo vazio e claustrofóbico de estação de metrô, iluminado por luz branca intensa, com placa amarela indicando a saída 8 ao fundo, transmitindo clima de suspense psicológico e mistério.

por Felipe Laganá

Exit 8 é a mais nova adaptação de videogame para o cinema que estréia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros. A tarefa é de transpor a gameplay paranóica e claustrofóbica do jogo independente japonês “The Exit 8” para as telonas. No filme, a história acompanha o “Homem Perdido” (Kazunari Ninomiya), um jovem que após descobrir que sua ex-namorada está grávida, acaba se perdendo em uma passagem subterrânea misteriosa onde anomalias acontecem com ele. Seguindo um guia sobre como lidar com essas ocorrências, seu objetivo é um: chegar até a saída 8.

O jogo “The Exit 8” foi lançado em 2023 e possui uma mecânica de gameplay bem simples, o jogador deve encontrar anomalias no ambiente ao seu redor para seguir avançando até o final. A experiência é dividida em 8 fases, e cada vez que um erro passar sem ser visto, o jogo volta para a fase 0. Agora: como adaptar uma gameplay tão interativa para o cinema? É exatamente aí onde o filme comete suas falhas mais graves. 

Essa dinâmica só funciona com mídias que possuem uma interação com o espectador, o caso dos videogames. No cinema, não há um diálogo direto entre o filme e a audiência, causando frustração quando o protagonista comete erros bobos e a trama volta novamente para o ponto de partida, entrando em uma repetição muito cansativa e maçante. Apesar de não ser longo, é evidente como o filme se cansa muito rapidamente, principalmente ao mostrar a perspectiva de outros personagens.

Pôster do filme Exit 8 mostrando um corredor subterrâneo vazio e claustrofóbico de estação de metrô, iluminado por luz branca intensa, com placa amarela indicando a saída 8 ao fundo, transmitindo clima de suspense psicológico e mistério.

Apesar disso, o horror é bastante inventivo e instigante, a direção de Genki Kawamura (produtor de Your Name) move sua curiosidade e sabe deixar o espectador aflito durante a maior parte da trama utilizando muito de planos sequências em sua filmagem. Se aproveitando de um jogo que não possui um protagonismo com uma personalidade definida, o diretor tem êxito em criar um arco de personagem bastante eficiente e emocional sobre paternidade.

“Exit 8” é um filme muito instigante e com um terror extremamente interessante no começo, mas que infelizmente, pela dificuldade evidente de adaptar a dinâmica da gameplay e da interação com o jogador do material original, se cansa e se perde no próprio universo. O resultado é um filme que apesar de coisas muito interessantes, ainda possui dificuldade em manter o espectador interessado por toda a duração do longa. Apesar disso, ainda sim é uma ótima pedida para fãs de um bom terror psicológico.

Nota: 3/5

Avaliação: 3 de 5.
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A Odisseia – Crítica

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A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan (Interestelar e Oppenheimer), talvez seja um dos filmes mais aguardados do ano por muitos fãs. Com um elenco estrelado e uma tarefa ambiciosa, o diretor, conhecido por experimentar ideias inventivas no cinema, agora tem a difícil missão de adaptar um dos primeiros épicos da história da humanidade: a jornada de Odisseu (Matt Damon) para retornar para sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) após mais de 20 anos longe de casa depois da Guerra de Troia.

Tecnicamente, A Odisseia é tudo aquilo que se espera de uma superprodução comandada por Christopher Nolan. A fotografia transforma cada cenário em uma composição impressionante, aproveitando paisagens naturais e transmitindo grandiosidade. A trilha sonora de Ludwig Göransson (Oppenheimer, Pecadores) é espetacular e consegue se destacar em meio às cenas. O elenco também corresponde às expectativas. Matt Damon entrega um Odisseu assombrado por seus fantasmas, Anne Hathaway e Tom Holland exibem um clima melancólico ao mesmo tempo que esperançoso, enquanto Robert Pattinson (Antínos) se destaca com sua intimidade com a rejeição. Soma-se a isso um excelente trabalho de caracterização e figurino, que faz com que esse universo pareça vívido.

O maior problema do filme, no entanto, está justamente onde a história mais precisava emocionar. A jornada de Odisseu é, acima de tudo, uma narrativa sobre perda, saudade e principalmente sobre culpa. Nolan apresenta esses elementos, mas raramente dedica tempo para desenvolver seus personagens ou explorar seus sentimentos mais profundos. Como consequência, os momentos que deveriam servir como catarse emocional simplesmente não funcionam. Há uma clara intenção de emocionar, mas tudo soa mecânico, quase robótico, como se o filme entendesse racionalmente onde o espectador deveria se comover sem construir organicamente esse sentimento ao longo da narrativa.

Isso se torna ainda mais evidente quando comparado a outras releituras da obra de Homero. “Epic: The Musical”, por exemplo, demonstra como é possível reinterpretar a Odisseia evoluindo e entendendo o conflito interno de seus personagens extremamente complexos. Cada decisão de Odisseu, cada reencontro e cada sacrifício carregam um peso emocional construído ao longo da jornada. No filme de Nolan, essa camada existe, mas apenas de forma superficial, impedindo uma dramaticidade extremamente necessária em uma adaptação desse tipo.

Outro aspecto que limita o longa é a forma como Nolan encara o universo mitológico. O filme não elimina os elementos fantásticos, pelo contrário, eles estão presentes em diversos momentos da narrativa. A questão é que o diretor opta por abordá-los sob uma perspectiva muito mais próxima do horror do que da fantasia épica.  A feiticeira Circe (Samantha Morton) e o ciclope Polifemo (Bill Irwin) principalmente são retratados de maneira opressiva, desconfortável e quase sempre aterrorizante, uma escolha estética coerente com a filmografia de Nolan, mas que entra em conflito com o conceito da Odisseia.

Sendo considerado o primeiro grande épico da história da humanidade, o poema de Homero sempre encontrou seu encanto justamente por suas características de uma aventura épica na mitologia grega. No longa, porém, essa sensação de encantamento dá lugar a uma atmosfera muito mais sombria e contida. Os deuses continuam existindo, assim como suas influências, mas raramente passam de meras menções e demonstrações de poder. Em vez de abraçar plenamente a fantasia mitológica, Nolan parece constantemente interessado em interpretá-la sob uma ótica mais realista, fazendo com que o filme se aproxime mais de um horror mitológico do que da aventura fantástica escrita por Homero.

Além disso, o roteiro frequentemente recorre a diálogos excessivamente expositivos para transmitir informações ao público, um problema que se torna especialmente evidente nas cenas envolvendo Calypso (Charlize Theron), que é uma grande ouvinte durante toda a história. As sequências de ação também decepcionam. Embora existam momentos visualmente impactantes, a direção de Nolan raramente consegue estabelecer uma geografia clara dos confrontos. Em diversos trechos, cortes rápidos e enquadramentos fechados tornam as batalhas confusas, dificultando acompanhar a dinâmica dos combates e diminuindo o impacto de cenas.

No fim das contas, A Odisseia é uma produção de altíssimo nível técnico, sustentada por uma direção segura, um elenco excelente e uma execução visual impressionante. Ainda assim, a decisão de conter sua mitologia, a dificuldade em desenvolver emocionalmente seus próprios personagens, os diálogos excessivamente explicativos com Calypso e sequências de ação confusas deixam um gosto amargo na boca. Christopher Nolan entrega uma adaptação competente em seus aspectos técnicos, mas distante da alma do poema que pretende homenagear.

Nota: 2,5/5

Avaliação: 2.5 de 5.

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