Reviews e Análises
Moonfall: Ameaça Lunar – Crítica
Eu sinceramente acho que Moonfall: Ameaça Lunar é o filme mais maluco de todos os tempos. E talvez um dos mais divertidos também. Isso, caso você obviamente pratique a suspensão de descrença antes de entrar na sala. Roland Emmerich, o rei dos filmes catástrofes, dessa vez pensou: “como eu posso fazer o maior filme catástrofe de todos os tempos”? E a resposta foi: “que tal se a Lua estacionasse na Terra?”
É basicamente isso o que acontece no filme. Uma força misteriosa desloca a órbita da Lua da Terra e o nosso satélite natural agora está em rota de colisão com nosso planetinha azul, ameaçando toda a vida existente por aqui. Mas é claro que os americanos estão prontos para nos salvar! E aí tem todos os clichês de filmes catástrofe de sempre: o nerd geek (John Bradley) que tem a solução mas ninguém acredita nele, o astronauta piloto renegado e esquecido (Patrick Wilson) e a mulher dona da parada toda (Halle Berry) que precisa juntar esses dois e colocar um plano em ação pra resolver o problema. E aí os três vão contra tudo e contra todos para meter uma missão mais maluca do que o pica-pau, deixando pessoas queridas para trás.
O roteiro desse filme é uma sucessão de situações absurdas, frases de efeito bem safadas, argumentos desconexos e momentos amigos do roteirista, com pitadas de cenas de ação divertidas e efeitos em CGI que poderiam ter sido mais caprichados. O grande problema do filme é que todos no elenco estão levando o filme muito a sério, quando o espectador que deixou o cérebro do lado de fora da sala morre de rir com as esquizofrenias da fita.
Se você for levar a sério as coisas do filme, só vai se irritar e querer sair da sala com as teorias absurdas e frases de efeitos idiotas do roteiro. Então assim: só vai curtir quem entender que o filme é uma comédia. É tipo ver qualquer um dos filmes mais recentes de Velozes e Furiosos. Diversão, pipoca e nenhum cérebro. É pra ir de galera!
Reviews e Análises
O Fim da Rua – Crítica
O Fim da Rua, novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal e Under the Silver Lake), chega aos cinemas com uma proposta bastante curiosa: transportar uma típica vizinhança suburbana dos anos 1980 para um ambiente completamente desconhecido, colocando seus moradores diante de uma ameaça pré-histórica. Estrelado por Anne Hathaway (Interestelar e Odisseia) e Ewan McGregor (Star Wars), o longa mistura ficção científica, suspense, ação e terror para acompanhar uma família tentando sobreviver depois que seu bairro é misteriosamente deslocado para um mundo dominado por dinossauros.
Um dos grandes destaques de O Fim da Rua está na maneira como Mitchell utiliza o espaço em tela para compor as cenas. O filme foi pensado para o IMAX, e isso fica bastante evidente durante todo o filme. O diretor aproveita muito bem a imensa amplitude da tela para criar situações visualmente criativas. O diretor brinca muito com a quase onisciência do espectador, que possui uma visão quase total dos perigos que se aproximam por trás dos personagens.
Anne Hathaway, como já é de se esperar, está sensacional. A atriz consegue entregar uma protagonista carismática e convincente, carregando boa parte dos momentos dramáticos do longa com bastante segurança. Ewan McGregor também funciona muito bem em seu papel, enquanto Christian Conway e Maisy Stella cumprem bem os papéis do elo mais frágil e imprudente da família, como os filhos do casal.

O problema é que o roteiro não acompanha a criatividade da direção. O Fim da Rua possui uma premissa que poderia render uma história muito mais ousada, mas escolhe caminhos extremamente genéricos e, em alguns momentos, acovardados. Além disso, o filme parece constantemente em soluções fáceis e diálogos bastante expositivos cansativos. Apesar de a história apresentar conflitos familiares e diferentes personalidades dentro daquele grupo, falta tempo e espaço para que eles realmente se desenvolvam. Os arcos acabam parecendo corridos e, consequentemente, muitos dos momentos que deveriam representar transformações importantes não possuem o impacto necessário.
Felizmente, quando decide simplesmente abraçar seu lado mais “simples”, O Fim da Rua funciona muito melhor. O diretor demonstra uma boa compreensão de como criar expectativa sem depender exclusivamente de sustos (que quando aparecem, são genuinamente surpreendentes), construindo a ameaça de maneira gradual. E há também um senso de humor bastante peculiar na violência. O filme sabe quando exagerar e transformar situações brutais em momentos genuinamente engraçados, criando uma combinação curiosa entre ação, horror e comédia. É justamente nesses momentos que O Fim da Rua encontra uma identidade própria e consegue ser uma experiência divertida, mesmo quando seu roteiro não está à altura de sua proposta.
No fim das contas, O Fim da Rua é um filme que possui uma direção visual bastante competente e algumas sequências realmente divertidas, mas acaba limitado por um roteiro pouco corajoso e personagens que não recebem desenvolvimento suficiente. David Robert Mitchell demonstra novamente que sabe construir imagens e atmosferas interessantes, mas sua nova obra parece menos interessada em explorar todo o potencial de sua premissa do que poderia. Uma experiência divertida, com boas atuações, ação eficiente e uma utilização verdadeiramente impressionante do IMAX, mas que deixa aquela sensação de potencial desperdiçado.
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