09 de dezembro de 2019 Reviews e Análises

Se você não estava em uma caverna ou em Naboo no último fim de semana, deve saber que aconteceu, aqui em São Paulo, a 6º edição da Comic Con Experience.

Com todos os ingressos esgotados, andar pelos corredores nos quatro dias de evento nos deu a sensação de ser sempre sábado, o dia - historicamente - mais lotado dos anos anteriores. Nossa atenção era disputada em não tropeçar nas armaduras dos cosplayers e stands de empresas como Netflix, Prime Vídeo e Globoplay.

Os guerreirinhos que se empenharam para assistir os painéis mais esperados do evento – o do MCU, com a presença do todo poderoso Kevin Feige, e o de Star Wars: A ascensão Skywalker, que além de J.J. Abrams contou com a presença de Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac - passaram quase 48 horas na fila para conseguir seu lugar aos dois sóis no auditório Cinemark XD.

Fora as surpresas, como Henry Cavill divulgando The Witcher (ou como chamo carinhosamente, o Bruxeiro).

Pra mim, porém, o evento se resume a um lugar muito específico: o Artists' Alley

O Artists' Alley é onde podemos nos encontrar com o pessoal que produz quadrinhos no Brasil, seja de forma autoral ou para grandes editoras.

Toda edição conheço algum artista novo. O ano passado, por exemplo, conheci o incrível Michel Ramalho e seu Légume e o Tempo (obrigada Valdir!), mas sempre acabo fazendo uma visita a velhos conhecidos, nem que seja só para comprar um print ou pedir um autógrafo em alguma edição passada. Abaixo cinco destes artistas e roteiristas que você deveria começar a conhecer:

Raphael Fernandes

A primeira vez que entrei em contato com a produção de Raphael Fernandes foi em abril de 2014, quando comprei meu primeiro número de Ditadura no ar, roteirizado por ele e com arte de Abel. Depois de uma busca frustrada pelo terceiro volume - sempre compensada com outras publicações como a coletânea Delirium Tremens da qual o Raphael é organizador - este ano consegui minha linda e autografada edição do encadernado. 


Em Ditadura no ar - ganhador do prêmio Troféu HQ Mix em 2016 - o repórter fotográfico Felix tenta fazer o possível para encontrar sua namorada Nina, presa pelo Estado em um protesto contra a Ditadura. O canal Meteoro Brasil fez uma resenha maravilhosa da história.

Outra publicação que comprei este ano das mãos do autor foi a coletânea Sangue no Olho, com histórias de bang-bang à brasileira. Além de assinar o roteiro da história Chave de Cadeia, Raphael também é o organizador da coletânea.

Fran Briggs e Anna Giovannini

"O Mal não triunfará enquanto o bem puder pagar"

Há alguns anos, em um tempo mais simples em que a internet discada e as contas absurdas de telefone eram uma realidade, existia uma publicação chamada Dragão Brasil, focada no público que jogava RPG. Nela, mais especificamente nas edições 44 a 46, foi publicada uma aventura chamada Holy Avengers que, mais tarde, teria sua revista própria em estilo mangá, com a maioria dos roteiros de Marcelo Cassaro e arte de Érica Awano. Nesse contexto nasce Mercenário$ – ou Merc$, como apelidado por seus criadores – também ambientada no mundo de Tormenta. Eu li essa revista na época de lançamento (2004) pela extinta Talismã e adorei. Infelizmente, por causa da “morte” da editora, fiquei órfã precocemente: apenas uma edição foi publicada.

Imagine minha surpresa ao encontrar, no Artist’s Alley da #CCXP2015, entre as mesas 12 e 13, esses meus velhos amigos – na verdade só conhecia o Domi :p – acompanhados das criadoras da sua mais nova história. O que fiz? Trouxe-os para casa!


O humor – principalmente aqueles que se utilizam da narrativa iconográfica, isto é, dos desenhos – lembrou-me muito Holy Avengenrs, mas as semelhanças param por aí. Domi é aquelo tipo de personagem que amamos odiar. Ele nunca será o boa-praça Sandro Galtran, e isso, para mim, é excelente.

Mercenários está em seu 4 volume, seguindo com delicioso texto de Fran Briggs e a linda arte de Anna Giovannini.

Rebeca Prado

Conheci muitos artistas pelas webcomics (será que devo fazer um post com uma lista? Vou pensar nisso...), mas foi uma pequena viking que saqueou o nobre coração desta pobre camponesa que vai todos os dias ao bosque colher lenha: Navio Dragão é uma das coisas mais engraçadas que li em anos!


Criado por Rebeca Prado, Navio Dragão traz as aventuras da menininha nada fofa Leif, sempre acompanhada por seu cachorro Carne, em tirinhas de humor ácido, delicadamente aquareladas em verde, marrom e muito vermelho.

As primeiras tirinhas ainda podem ser acessadas em https://naviodragao.wordpress.com/. O título foi publicado pela primeira vez via financiamento coletivo em 2015 e hoje ganha nova edição, em capa dura e tirinhas inéditas.

Cadu Simões

Você sabia que é possível conhecer uma pessoa duas vezes? Foi o que aconteceu comigo em relação ao Cadu Simões . A primeira foi por intermédio de uma de suas criações, o Homem-Grilo, quando os meninos do MdM (Melhores do Mundo), lá nos idos de 2007,  ainda faziam artigos para o site.   A segunda vez foi dentro de sala de aula, quando fizemos algumas disciplinas na faculdade. Eu não sabia quem ele era até encontrá-lo em uma convenção, os dois se olharem e eu dizer “É você que faz!”.

Cadu não esteve na CCXP este ano e entendo demais os motivos, mas fez falta!