07 de junho de 2019 Reviews e Análises

Já sabemos qual foi a motivação para a criação do nosso Cruzado Encapuzado favorito e quais as referências e inspirações que ajudaram Bob Kane a dar-lhe vida, mas por que Batman, mesmo vindo da necessidade de ser "mais um Superman" tem histórias, habilidades e poderes (nesse caso, não-poderes) tão diferentes do Azulão? O contexto da época e a publicação para a qual a personagem foi idealizada respondem essas questões.


As histórias das revistas pulp povoaram a imaginação dos leitores nas décadas de 30 e 40 do século passado. Em sua maioria eram narrativas de ficção científica, fantasia e policial. O Superman era um eco das aventuras com alienígena em planetas distantes; já Batman, das histórias de crimes e detetives.

Como o nome já sugere, a revista Detective Comics, criada em março de 1937, publicava antologias de histórias de detetives em quadrinhos, sendo o último veículo criado pela pioneira National Allied Publication, que viria tornar-se a DC Comics. Em 1939, surge sua personagem mais icônica e a que a faria ser uma das publicações continuadas mais longevas da história, chegando em junho de 2019 ao 1005º número.


O caso da sociedade química 

Além de Speed Saunders, Buck Marshall e do Vingador Escarlate, a Detective Comics número 27 trazia, após seu costumeiro quiz sobre técnicas forenses, a história intitulada o caso da sociedade química. 

O que você esperaria ler no debut de Batman? Talvez a história de um casal e seu filho saindo do cinema; os três sendo abordados por um marginal; colar de pérolas quebrando-se espalhando as contas brancas no chão; adultos mortos e a criança jurando vingança, certo? Errado!

CUIDADO: pode conter revelações do enredo.

Em vez disso temos 6 páginas nas quais somos apresentados ao jovem Bruce Wayne e a seu amigo, o comissário de polícia Gordon, quando a conversa é interrompida por um telefonema: o rei das indústrias químicas, Lambert, foi assassinado. Sem "nada melhor pra fazer" Bruce acompanha Gordon até o local do crime. Após presenciar as investigações e saber que mais pessoas foram ameaçadas, acha melhor ir para a casa para que o comissário termine seu trabalho.

Vemos Batman pela primeira vez quando ele acua os marginais e lê o contrato que eles subtraíram do cofre da segunda vítima, o que o leva a desvendar o caso.



Pouca coisa lembra o Batman ou as histórias que lemos hoje, mas é nessa primeira aparição que já nos são apresentados elementos do que seria cânone da personagem como a relação com o Comissário Gordon,  as habilidades em combates corpo a corpo, a sua inteligência - afinal ele é um detetive, ouviu Senhor Zack Snyder - e a mania de sumir no meio das frases dos outros.

Agora, se você tem a intensão de ler essa pequena aventura, esqueça traumas juvenis, mordomo, sidekicks, código de ética ou bat-caverna. Aqui vemos Batman naquilo que foi criado para protagonizar: uma simples e honesta história de detetive.