01 de janeiro de 2019 Reviews e Análises
“Era uma vez e eram duas vezes e eram três vezes e eram quatro vezes. E esta é a história de cada uma dessas vezes…”

Opa, dá licença… COF! COF!

Desculpe, este meu cantinho está meio empoeirado, eu sei... Acho que nunca gritamos tanto quanto em 2018, mas a impressão que tenho é que, no último ano, cada um de nós foi aprisionado por alguma forma de Silêncio. Decidi que não poderia abrir as janelas, deixar o sol entrar, colocar a poeira pra fora e quebrar este vazio escolhendo outra história que não a Graphic MSP Louco: Fuga.


“E era o menino que não gostava de água. Dizem até que nunca tomou banho, mas talvez tenha tomado unzinho… Não importa! Com chuva ou com sol, era alguém com quem contar sempre, em qualquer plano.”


A narrativa criada por Rogério Coelho não abandona o nonsense das histórias originais, apenas o justifica. Essa justificativa toma corpo com o termo fuga, quando o autor lhe dá dois sentidos: um textual e outro visual. Ah, e não se engane: esse nonsense foi incluído nas histórias com o tempo, pois a personagem, no começo, era só um louco mesmo, fugindo do hospício na primeira revista do Cenourinha, digo, Cebolinha... 

“E era a menina de vestido amarelo. Que comia uma melancia inteira sozinha, mas não gostava de ficar sozinha e repartia sua amizade com quem estivesse perto.”

Se partirmos do verbo, logo pensamos na história: certa vez um homem criou um pássaro que tinha o poder de inspirar todas as histórias do mundo com seu canto. Esse homem também criou adversários para esse pássaro, os Guardiões do Silêncio, que começaram a prender aqueles que conseguiam ouvir o seu canto e aprisionavam a imaginação dos cativos para sempre. Quando criança, o Louco conseguiu salvar o pássaro que, de tão cansado e ferido, deixou-se prender. Mas agora, o pássaro tinha sido aprisionado novamente e enquanto ele pensava em como soltá-lo, fugia dos Guardiões do Silêncio, pulando de história em história.

“E era o menino de cabelo espetado, que falava elado, mas era o amigo certo.”

Se partimos da fuga - ou ponto de fuga - percebemos que o artista brinca com nosso olhar, extrapolando os quadros, as formas, as cores… Cada página é um esmero lírico que tenta se distanciar da narrativa visual dos quadrinhos mais tradicionais.


"E a menina de vestido vermelho, que tinha um coelho azul e uma força enorme. E com essa força unia os laços das histórias de cada um."

Na trajetória o Louco percebe que todo vilão é criado para deixar o herói mais forte, mas quem é o herói?


E era uma vez uma mulher que decidiu pular de história em história, compartilhando suas experiências neste puxadinho que lhe deram e que ela tanto ama.

E pra você, qual é o seu "e era uma vez..."



Título:
Louco: Fuga
Autor: Maurício de Souza, Rogério Coelho
Tradução: -
Editora: Panini Comics
Ano: 2015
ISBN: 9788542602890
Ficha técnica completa no Guia dos Quadrinhos