10 de julho de 2018 Reviews e Análises

Faça o seguinte exercício: imagine que os X-Men, em vez de desenvolverem seus poderes mutantes na puberdade, descobrissem que são reencarnações de divindades que surgem a cada 90 anos - evento chamado de Recorrência - e que, a partir da descoberta, viveriam como astros do POP, mas teriam apenas dois anos de vida. Imaginou? Pois essa é a premissa de The Wicked + The Divine, escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie.

No primeiro arco intitulado A lei de Faust  acompanhamos Laura, uma fã do recente panteão,  em sua investigação para provar a inocência de Luci (a personificação de Lúcifer em uma mistura de David Bowie e Madonna)  que foi responsabilizada pelos assassinatos de duas pessoas que atentaram contra os deuses e do juiz que julgou esse crime.


A arte de McKelvie, colaborador recorrente de Gillen, é limpa e realista, como já conhecida dos leitores da Marvel: o artista é responsável pelo redesigned da Capitã Marvel (em 2012) e pela criação do visual de Kamala Khan's, antes dela tornar-se a Ms Marvel. A narrativa gráfica também é muito competente, principalmente na distinção entre as divindades e seus domínios.


Além de Luci/Lúcifer outras divindades nos são apresentadas. Neste primeiro arco temos: Amaterasu (personificação da deusa do sol homônima do Xintoísmo), Baal (Baal-Hadad, deus semita das tempestades e trovões), Morrigan (personificação da deusa tríplice celta), Woden (representa Odin com um visual totalmente Daft Punk), Baphomet (personificação do deus semita homônimo), Sakhmet (deusa egípcia da guerra que é a cara da Rihanna) e a mais nova,  Minerva (personificação da deusa romana da sabedoria e estratégia bélica). Entre essas divindades também está Ananke (baseada na deusa grega do destino), sendo responsável por encontrar os novos deuses e cuida deles durante os dois anos que lhes restam. 

Tudo isso lembra alguma coisa? Muitas coisas, eu diria, porém, mais diretamente, Deuses Americanos. A comparação com o romance de Neil Gaiman é inevitável, mas confie em mim: não avança muito! O que é subterrâneo em Gaiman, é superficial em Gillen, mas não raso. Se Gaiman trata, de forma intrincada a formação identitária dos Estados Unidos através dos imigrantes e as crenças trazidas por eles, a grande discussão de Gillem é sobre a função das celebridades e das redes sociais, da ocidentalização de tudo e, principalmente, como a geração dos millennials sentem e se relacionam com tudo isso.



Título:
THE WICKED + THE DIVINE
Autora: Kieron Gillen (roteiro) e Jamie McKelvie (arte).
Tradução: Maurício Muniz
Editora: Geekpedia (selo da Novo Século)
Ano: 2016
ISBN: 9788542809992
Ficha técnica completa no Skoob