16 de maio de 2018 Críticas


Contar a trajetória pessoal e profissional de um dos maiores atores que o Brasil já viu: Paulo José. Essa é a missão do documentário Todos os Paulos do Mundo, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira. Mas ao invés dos dois optarem pelo formato tradicional de um documentário, com entrevistas entrecortadas por cenas de bastidores ou de filmes protagonizados por Paulo, o filme prefere ousar. E nesse ponto, torna-se uma obra artística mais única, mas que pode desagradar ao espectador comum que procurava algo mais direto.

O documentário não se limita a seguir a trajetória passo-a-passo de Paulo José, mesmo que  o devido destaque para os momentos mais importantes de sua carreira seja dado, como a exibição de trechos de vários de seus filmes marcantes (O Padre e a Moça, Macunaíma, Todas as Mulheres do Mundo, entre outros).

Ao optar por utilizar personalidades importantes na carreira e vida de Paulo, como Fernanda Montenegro, Fernando Migliaccio, Milton Gonçalves e Selton Mello, para recitar textos reflexivos escritos pelo próprio ator, o filme inverte o gênero do documentário sobre um objeto de admiração, inserindo-o na auto-homenagem. Poderia soar pedante ou soberbo, mas não é o caso. Até porque o texto não é de exaltação, mas de auto-avaliação.


O texto de Paulo relembra fatos marcantes como a saída da casa dos pais, o teatro de arena, os amores (casamento com Dina Sfat ganha particular atenção), problemas com a ditadura e o temível AI-5, o cinema autoral e a conviência com o Mal de Parkinson, diagnosticado em meados dos anos 90.

A montagem do documentário é criativa e segue a ousadia do conceito do filme, utilizando de vários trechos de filmes protagonizados por Paulo José para ajudar a contar a trajetória do ator e a organização de seus pensamentos, através dos diálogos dos próprios personagens nas diversas obras. Também foram utilizadas cenas de bastidores de televisão e entrevistas que ajudam a entender a grandiosidade desse homem, tão humano e tão talentoso.

É um filme honesto, criativo, mas que serve principalmente aos fãs de Paulo José. É uma bela homenagem a um ícone da arte brasileira.


Nota 4 de 5